RESUMO DAS ACÇÕES OPERACIONAIS DA CCAÇ3491 E DE
OUTRAS COMPANIAS DO BCAÇ3872
- PARTIDA DO
DO BCAÇ3872 NO DIA 18DEZ71, DO ENTÃO RI Nº2-ABRANTES EM COMBOIO ESPECIAL
PARA ESTAÇÃO STA. APOLÓNIA-LISBOA .
CAMIONETAS MILITARES ATÉ AO CAIS DE ALCÂNTARA, CHEGADA ÀS 06H30. APÓS PEQUENO
ALMOÇO FORMATURA DO BATALHÃO E INÍCIO DO
EMBARQUE ÀS 10H00.
- EMBARQUE EM LISBOA,
CAIS DE ALCÂNTARA, NO NAVIO “ANGRA DO HEROÍSMO”,EM 18DEZ1971(6ª FEIRA), COM
PARTIDA ÀS 12H00. PASSAGEM PELO FUNCHAL NO DIA 20DEZ71(2ªFEIRA), COM EMBARQUE
DE TRÊS COMPANHIAS INDEPENDENTES:CCAÇ3518
(GADAMAEL E GUIDAGE);CCAÇ3519(BARRO E CACHEU) E CCAÇ3520(CACINE).PARTIDA PARA BISSAU ÀS 04H30.
- O NAVIO FUNDEOU AO LARGO DE BISSAU(6ªFEIRA), PELAS 06H00 DO DIA 24DEZ71, ATRACANDO CERCA DAS 12H00 NO CAIS DE PIDJIQUITI. O DESEMBARQUE DEU-SE PELAS 14H30, DESLOCANDO-SE O BATALHÃO EM VIATURAS CIVIS, TODO FARDADO DE CAMUFLADO (O QUE ORIGINOU COMENTÁRIOS DOS ESTIVADORES A DIZEREM QUE ERA “TUDO TROPA COMANDO”), EM DIRECÇÃO AO (CIM) CUMERÉ, ONDE IRÍAMOS PASSAR O NOSSO 1º NATAL (SERÍAMOS SURPREENDIDOS COM OUTROS DOIS-72/73 E 73/74).
- NO DIA 26DEZ71(DOMINGO), O BATALHÃO FORMADO NA PARADA,
CONJUNTAMENTE COM AS COMPANHIAS INDEPENDENTES, RECEBERAM AS BOAS VINDAS DO
COMANDANTE-CHEFE, GENERAL ANTÓNIO SPÍNOLA E DESFILARAM PERANTE O MESMO E OUTRAS
AUTORIDADDES LOCAIS. FOI FEITO PELO
COMANDANTE DO BATALHÃO A DISTRIBUIÇÃO DAS COMPANHIAS NA ZONA LESTE DA GUINÉ:
CCS-GALOMARO(SEDE DO BATALHÃO);CCAÇ3489-CANCOLIM;CCAÇ3490-SALTINHO E
CCAÇ3491-DULOMBI.
- A INSTRUÇÃO DA ACTIVIDADE OPERACIONAL(I.A.O.) DECORRERU COM
NORMALIDADE E INICIOU-SE A 27DEZ71(2ªFEIRA) E TERMINOU EM 22JAN72(SÁBADO). NO
DIA SEGUINTE, O BATALHÃO, PELAS 6H30, DIRIGIU-SE EM VIATURAS CIVIS PARA O CAIS
DE BISSAU ONDE EMBARCOU DA SEGUINTE FORMA:CCAÇ3490 E 1ºGR.COMBATE DA CCAÇ3491,
EMBARCARAM NO NAVO “BOR” E LARGARAM ÀS 09H00; A CCAÇ3491 EMBARCOU NO NAVIO
“FORMOSA”, QUE LARGOU ÀS 09H45 E A CCAÇ3489 E CCS, EMBARCARAM NA LDG “ALFANGE”,
QUE LARGOU ÀS 12H15.
- APÓS SUBIREM O RIO GEBA, COM O APOIO AÉREO DE UM AVIÃO DO-27 E DE UM HÉLIO-CANHÃO, O BATALHÃO
ENCOSTOU NO CAIS DO XIME(ONDE CHEGAVAM TODAS AS UNIDADES DESTINADAS AO LESTE DA
GUINÉ), POR VOLTA DAS 17H00 E UMA HORA DEPOIS EMBARCOU EM DIVERSAS VIATURAS
CIVIS, ESCOLTADOS POR VIATURAS MILITARES, PARTINDO EM DIRECÇÃO A GALOMARO, APÓS
PASSAGEM POR BAMBADINCA., ONDE CHEGARIAM ÀS 21H30. A EXCEPÇÃO FOI A CCAÇ3489,
QUE SEGUIU DIRECTA A CANCOLIM. NO DIA SEGUINTE SAIRAM DUAS COLUNAS DE GALOMARO,
UMA COM A CCAÇ3490 EM DIRECÇÃO AO SALTINHO E OUTRA COM A CCAÇ3491 EM DIRECÇÃO AO
DULOMBI.
- O BATALHÃO FOI COLOCADO NA ZONA LESTE DA GUINÉ (L2), NA
FRENTE “BAFATÁ-GABU SUL”(DENOMINAÇÃO DO IN) E A NOSSA COMPANHIA DETINHA A MAIOR
ZONA DE QUADRÍCULA DA GUINÉ, E QUE ESTAVA LOCALIZADA NA LINHA DA FRENTE, SENDO
O ÚLTIMO QUARTEL DE FRONTEIRA. A ZONA SERIA ALARGADA MAIS TARDE, QUANDO PASSOU
A ENGLOBAR A ÀREA DE GALOMARO, APÓS TRANSFERÊNCIA PARA A SEDE DO BATALHÃO. A
CCAÇ3491 FOI SUBSTITUIR NO DULOMBI A CCAÇ2700 DO BCAÇ2912, QUE POR SUA VEZ
SUBSTITUIRAM A CAÇ2405, QUE FOI A 1ª COMPANHIA A SER INSTALADA NO DULOMBI, COM
UM GR. COMBATE NA TABANCA DE MONDAJANE.
- A ACTIVIDADE OPERACIONAL A DESENVOLVER PELA COMPANHIA
MANIFESTAVA-SE EM:
- Acções dinâmicas de
reconhecimento, com vista a detectar trilhos de passagem do IN e a reconhecer
locais propícios para emboscar;
- Patrulhamentos
ofensivos, conjugados habitualmente com emboscadas, com a finalidade de
detectar e aniquilar os Gr IN que se revelavam;
- Colocação de minas ou
armadilhas em corredores de possível passagem de Gr IN, em zonas onde não
fossem tão frequentes as acções dinâmicas das NF;
- Acções de emboscadas
nocturnas, em redor do aquartelamento ou de acesso às Tabancas, visando
interceptar os Gr IN ou impedir as flagelações ao quartel e aos aldeamentos
populacionais, ou seja, uma segurança próxima ou afastada; - Picagem de
itinerários a percorrer pelas viaturas da companhia, nomeadamente as Picadas
Dulombi-Galomaro e Dulombi-Jifim;
- Acções de escolta a colunas de reabastecimentos ou
operacionais, quer no nosso sector, quer em outras áreas, por ordem do comando
operacional;
- Acções de protecção de itinerários a fim de impedir ataques
do IN a colunas e a colocação de minas;
- Acções de intercepção/perseguição a grupos IN que tivessem
sido intervenientes em ataques/flagelações, quer ao nosso aquartelamento, quer
a outros, quer ainda a Tabancas, dentro da área do Batalhão;
- Operações, Acções ou mesmo colocados de intervenção em
outras áreas em apoio a outros batalhões ou companhias, ordenadas pelo comando
operacional;
- Contactos com as populações, controlo das mesmas, apoio
psico-social e médico, visando contar com o seu apoio e obter informações sobre
o IN.
O DISPOSITIVO MILITAR DO
PAIGC
-Na
zona de Madina do Boé: Possuíam 5 grupos de infantaria e 1 grupo especial AAA
(misseis strella
Após
Maio 73). Estes grupos recolhiam e eram oriundos da base de Kamberra, situada
na Guiné-Conacri.
-Na
zona situada em frente ao Quirafo (mas já dentro da Guiné-Conacri): Possuíam 1
bi-grupo de
infantaria.
-Na
zona situada em frente ao Saltinho (mas já dentro da Guiné-Conacri): Possuíam 1
bi-grupo de
infantaria.
Estes grupos eram oriundos e recolhiam à base de Djargadongo, também na
Guiné-Conacri.
-Na
frente Bafatá-Gabú Sul o IN disporia de pouco mais de 200 guerrilheiros. A base
situada em frente
ao Quirafo terá sido destruída (temporariamente) por uma operação do Grupo Operações Especiais de Marcelino da Mata, após o ataque do IN a Campata, em Março de 1973.
Algumas linhas de intrusão do IN na nossa área eram:
-Boé-Jifim-Paiai
Lemenei-Dulombi ou Paiai Lemenei-Padada-Madina Xaquili, depois ou Demba
Arabe
ou Sangué Cabomba;
-Tourdou
Tala-Madina Dongo-R. Corubalo-Quirafo-Samba Candé-Dulombi;
-Burmeleu-Canjai
(A)-Canhanque (A)-Dulombi;
-Unciré
(A)-Cutamaru-Jifim-Dulombi;
-Sele Sele -R. Cantoro -Vendu Cantoro-Dulombi.
-Em 1 de Fevereiro de 1972, iniciou-se a Operação "Varina Alegre", direccionada para a zona do Rio Corubalo, comandada pelo Capitão F. Pires e estando envolvidos 1 GC da CCAÇ 2700 e os 2º, 3º e 4º GC da CCAÇ 3491 e 1 Secção do Pel Mil 288. A operação decorreu com normalidade e teria sido mais uma entre tantas que fizemos senão fosse a circunstância de terem, no regresso, perdido um Alferes!!! (Alf.Dias, cmdt do 2º GC) que, após aviso de ataque de abelhas, viu-se debaixo delas, pelo que se deitou no capim, imóvel, pois estava alertado para a sua ferocidade. Embora desconhece-se onde se encontrava, conseguiu orientar-se, porque com o cair da noite ouvia o barulho dos motores do quartel e a claridade que irradiava das luzes do mesmo. Ainda passou a noite encostado a um “Baga-baga”, frente ao quartel e esperou pela manhã para entrar no mesmo, perante a surpresa geral de Grs de Combate que estavam alinhados na parada para partirem à sua procura.
-Entre 24 de
Fevereiro e 26 de Fevereiro, o 2º GC e 3ºGC da companhia participaram na
Operação "Trampolim Mágico", na área de intervenção do BART3873, com
sede em Bambadinca, que tinham chegado à Guiné, ums semana depois de nós.
Éramos todos uns “periquito” e fomos agrupados da seguinte forma:
-O
Grupo Castanho, formado por 4 GC da CART 3493, juntamente com o 2º e 3º GC
da CCAÇ 3491;
-O Grupo Laranja, formado por 4 GC da CART 3492, reforçados por 1 GC
da CCAÇ 3489 e outro da CCAÇ 3490;
-O Grupo Amarelo, formado pelos 4 GC da CART 3494, reforçados por 2
GC da CCAÇ12;
-O Grupo Preto, formado pelos GEMIL 309 e 310;
-O Grupo Verde, formado pela CCP 123;
Em apoio: 1 parelha
de Fiats G91, 1 parelha de Harvard T-6, 2 Hélios e 1 Héli-canhão e as peças de
artilharia de uma LDG.
Os grupos Castanho e
Laranja foram embarcados em LDG e desceram o Rio Geba, onde passaram um dia,
desembarcando ao fim da tarde em PORTO-GOLE(onde se encontrava um placa alusiva
dos portugueses, alusiva ao descobrimento da Guiné. No dia seguinte, embarcaram
de novo e lançados a todo o "vapor" fizeram um desembarque na PONTA
LUÍS DIAS e em TABACUTA sob o bombardeamento da aviação e da artilharia da LDG
e com a presença no terreno do Comandante-Chefe, General António de Spínola.
O Grupo Castanho onde estavam 2 Gr. Combate da CCAÇ3491, atravessaram as MATAS DO “FIOFIOLI” onde estavam tabancas do IN e embora sofrendo flagelações de morteiros 82mm, por parte do IN, conseguiram atingir o aquartelamento de MANSAMBO, sem terem tido quaisquer baixas.
-EM 10MAR72(6ªFEIRA), DÁ-SE A SAÍDA DO DULOMBI DA CAÇ2700, PASSANDO A NOSSA COMPANHIA A ASSUMIR O COMANDO DO SECTOR.
-EM 11MAR72(SÁBADO) o 2º e 3º GC (do Alf. Farinha), reforçados por 1 Secção do PELMIL288, iniciaram a Operação "Alma Forte", comandada pelo Alferes L. Dias, com a duração de dois dias (Sábado e Domingo), com a finalidade de reconhecer e armadilhar os pontos de passagem do IN no Rio Corubalo. Nesse dia, depois de invertermos a marcha, pelas 18h00, quando parámos para descansar junto ao Rio Lemenei/Paiai Lemenei, uma zona de mato denso e bastante arborizada, tivemos o nosso primeiro contacto/emboscada com o IN, estimado em 40/50 elementos. Nos primeiros momentos de troca de tiros houve alguma dificuldade na resposta ao fogo do adversário, que utilizava armas automáticas e roquetes/morteiros, em especial na utilização dos nossos morteiros e dos dilagramas, devido às condições adversas do local. Só quando conseguimos sair daquela mata e depois de lançarmos várias granadas de morteiro 60mm, que terão atingido fortemente o adversário, é que este iniciou a retirada, a coberto da noite que, entretanto, tinha caído.
Devemos
salientar nesta emboscada/contacto a actuação do Furriel do 2ºGC, Espírito
Santo, que fixou com a sua Secção o fogo inimigo, permitindo a saída do
restante pessoal e a actuação do soldado At. Manga Camará do 3º GC, que tomando
conta do morteirete de 60mm, colocou-o à barriga (um feito difícil de acreditar
para quem não viu) e lançou um par de granadas que mudaram o rumo dos
acontecimentos. Também de salientar a actuação do 1º Cabo Amílcar Costa do
2ºGC, que, alertado por um camarada (o "Amarante"), avistou um
elemento IN e foi o primeiro elemento da nossa companhia a efectuar fogo sobre
os guerrilheiros, com a sua Met. Lig. HK 21, só parando quando a mesma se
encravou por problemas na fita alimentadora.
Do confronto
resultou para o IN, pelos vastos vestígios de sangue encontrados, pelo material
diverso abandonado e pela rádio do PAIGC (que confirmou baixas, o que era
raro), sofreu mortos não controladas e a apreensão de 11 granadas de RPG7/RPG2,
entre outro material e equipamento. As nossas forças sofreram dois feridos
ligeiros e de outros elementos terem recebido tiros que lhes atravessaram os
cantis, as camisas ou dólmens e acertaram nos carregadores. Enfim, uma grande
sorte!!!
Pelo
reconhecimento feito posteriormente ao local, julgamos que o IN estava naquela
zona a descansar para, mais tarde, ir flagelar o quartel do Dulombi e, ao
aperceber-se da nossa presença, iniciou manobras de envolvimento para nos
atacar, mas foram avistados.
Esta acção
mereceu das diversas cadeias de comando as seguintes referências elogiosas: -Do
Cmdt BCAÇ 3872 msg nº70/03:"Felicito êxito obtido. Transmita pessoal dessa
minha
satisfação"; -Do Cmdt CAOP2 (Agrupamento de
Batalhões daquela área) msg nº952/0:"Felicito tão auspicioso começo";
-Do Cmdt Chefe -REP OPER msg nº984/C: "Cmdt Chefe felicita essa reacção à
emboscada do In durante OP "Alma Forte", reveladora de
determinação".
O 2º GC, passou a utilizar como lema, posto no seu "crachá", o nome da operação que provocou o 1º contacto com o IN - "Alma Forte".
-ENTRE OS DIAS 3 E 5ABR72, O 1º E 4º GR.COMB. REFORÇARAM O BCAV3854, DE NOVA LAMEGO, NA OPERAÇÃO “TOPÁZIO NATURAL”, DA CAOP 2.
-Em 11ABR72,foram encontrados vestígios de sangue na
zona de Campata/Galomaro, resultado de accionamento por elemento IN, de uma
armadilha colocada pelas nossas forças.
-No dia 17ABR72(2ª Feira), 1 GC da CCAÇ3490, reforçados com uma secção de milícias, sofreram uma emboscada na zona do Quirafo, por um Bi-Grupo IN, reforçado por um Grupo de Canhão Sem-recuo, que utilizaram para atingir a viatura da frente, atirando seguidamente com recurso a RPG e armas automáticas sobre a viatura incendiada e sobre a 2ª viatura, que conseguiu sair da zona, provocando às NT 12 mortos (entre militares (9), milícias (2) e civis (1), um militar aprisionado e 3 feridos civis. A emboscada causou também a destruíção de uma viatura GMC e de um rádio TR-28, a danificação numa viatura Unimog e o desaparecimento de um rádio AVP-1. Dia de consternação geral em toda a nossa companhia e, de certeza, em todo o nosso batalhão. Um desastre, aparentemente, evitável. O IN era comandado por Paulo Malu que, anos mais tarde, veio a ser o responsável pela Alfândega da Guiné, em Bissau.
- Em 18ABR72, (3ª Feira) NA PICAGEM DA ESTRADA
DULOMBI-GALOMARO, FOI DETECTADA E LEVANTADA (PELO 3º GR.COMB.), UMA MINA
A/C-TM-46, DE ORIGEM SOVIÉTICA. NO MESMO DIA, O 2ºGR. COMB., NA OPERAÇÃO
“ESTRADA JUNTA”, DETECTOU E LEVANTOU, NO ITINERÁRIO DULOMBI-JIFIM, UMA MINA
A/P-PMD-6, JUNTO DO LOCAL ONDE A CCAÇ2700 SOFRERA VÁRIOS MORTOS, NO
REBENTAMENTODE UMA MINA A/C.
Ainda em 18ABR72, elementos da CCAÇ3490/Saltinho, reforçados pelo PELREC/CCS e PELMIL304, em missão de reconhecimento ao local da emboscada, localizaram e levantaram na picada entre Sinchã Maunde Bucô e o Quirafo, uma mina A/C-TMD, com dispositivo anti-levantamento e reforçada com outra mina A/C igual.
-EM 29ABR72, O COMANDANTE-CHEFE, GENERAL ANTÓNIO SPÍNOLA, ACOMPANHADO PELO BRIGADEIRO-ADJUNTO OPERACIONAL, PELO COMANDANTE DA CAOP2, PELO COMANDANTE DO BCAÇ3872 E PELO COMANDANTE DO BENG2, INAUGURARAM O QUARTEL DO DULOMBI, INICIADO PELA CCAÇ2405, CONSTRUÍDO PELA CCAÇ2700 E MELHORADO PELA CCAÇ3491.
-DURANTE MAI72(15 DIAS), OS GR. COMB E 1ª SECÇÃO DO PELMIL288, ESTIVERAM EMPENHADOS NA OPERAÇÃO “GAROTA LADINA”, OU SEJA NA RECONSTRUÇÃO E MELHORAMENTO DA PICADA/ESTRADA DULOMBI-GALOMARO.
-EM 26MAI72, APÓS O
ALMOÇO, FOMOS ALERTADOS PELO REBENTAMENTO DE UMA MINA, SITUADA NA LINHA DE
MINAS A/P, COLOCADAS EM LINHA NUMA ZONA FRONTAL DONDE, NORMALMENTE, O IN
FLAGELAVA O QUARTEL.
Uma Secção do 3º GC,
comandada pelo Furriel Mário Castanheira, dirigiu-se para o local. Passado
algum tempo, o pessoal do quartel foi alertado por uma segunda explosão,
depois, uma outra. O quartel entrou em alvoroço e quase desorganizadamente um
grupo formou-se e arrancou para a zona, onde todos temíamos o pior. Ao
aproximarem-se da área minada, com todo o cuidado, deram com quatro feridos,
entre eles o furriel, que foram rapidamente levados para o quartel, onde eram
aguardados pela equipa de enfermagem e, face aos cuidados que inspiravam, foram
evacuados para o HM de Bissau, acompanhados de um Auxilliar de Enfermagem da
Companhia (1ª Cabo F. Pires).
Por um lapso de orientação do comandante de secção (capim muito elevado), quando a equipa iniciava a contagem das minas, através de uma marcação existente e previamente sinalizada, cruzou a linha do sistema, tropeçando num dos arames que as ligavam, dando origem ao rebentamento de outra mina (accionada pelo próprio furriel). Após o rebentamento, um outro elemento da secção desorientou-se com a explosão e fugiu tropeçando noutro arame e rebentando uma segunda mina. Felizmente e por qualquer milagre (!!!), não obstante terem sofrido diversos ferimentos, produzidos por muitos estilhaços, ficando, como se diz, feitos num crivo (o furriel foi inclusive atingido no escroto), uns tempos depois estavam de volta à companhia, após uma estadia em Bissau, para recuperação. O sistema de sinalização foi revisto, mas também nunca mais houve saídas para ir controlar os rebentamentos daquela forma. Os procedimentos tiveram de ser alterados.
-EM 4 DE JUNHO72,
GRUPO IN, ESTIMADO EM 40 ELEMENTOS, EMBOSCOU 2 GR. COMBATE, REFORÇADOS POR 1
SECÇÃO DE MILÍCIAS DA CACAÇ3490/SALTINHO, NO ITINERÁRIO SINCHÃ MAUNDE
BUCÔ-QUIRAFO EM DOIS MOMENTOS:
Num primeiro tempo, alvejando a frente da coluna com RPG´s e armas automáticas de um dos lados da picada e depois, noutro momento, outro grupo, instalado do outro lado da picada (200m da mesma) alvejou com morteiros e RPG´s a rectaguarda da coluna. Face à reacção das nossas forças e de um morteiro 60mm da milícia de Sinchã Maunde, que conseguiam ver a zona da saída dos morteiros IN e para esse local dirigiram o seu fogo, o IN retirou com 1 morto (provável) e 4 feridos (confirmados), causando 1 ferido nas NT.
-EM 22 DE JUNHO, JUNTARAM-SE
EM GALOMARO TODOS OS OFICIAIS DO BATALHÃO, PARA UMA REUNIÃO COM O GENERAL
SPÍNOLA, que foi muito interessante e aberta, podendo alguns manifestar a sua
opinião, mesmo contrária às posições oficiais-um prenúncio do movimento que
surgiria quase dois anos depois e, como se sabe, teve início em reuniões
realizadas na Guiné.
-EM 2 DE JULHO(Domingo),
PELAS 19H00, UM GRUPO IN, ESTIMADO EM 15/20 ELEMENTOS FLAGELOU O AQUARTELAMENTO
DO DULOMBI, POR CERCA DE 20 MINUTOS, COM ESPINGAR-
DAS AUTOMÁTICAS, METRALHADORAS LIGEIRAS E RPG´S, SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS. Interessante é que cerca de dez minutos antes, estávamos de "cadeira" a assistir a um ataque a Cancolim, ou seja, o IN efectuou duas flagelações praticamente ao mesmo tempo, em dois quartéis do nosso Batalhão. Do reconhecimento à base de fogos do IN -"Acção Espada"- situada a cerca de 500m do aquartelamento, foram localizadas 3 Gr. RPG-2 e 1 Gr. de RPG-7.
-NO DIA 3 DE JULHO(2ªFeira), QUANDO DO RECONHECIMENTO FEITO POR GR. COMBATE DA CCAÇ3489 À FLAGELAÇÃO SOFRIDA, percorriam o trilho de retirada do IN, entre Demba Arabe e Sinchã Jai, encontraram-se com os guerrilheiros que vinham em sentido contrário. Do contacto havido nada resultou, dado que o IN debandou rapidamente. Do reconhecimento, apurou-se que o IN, após a flagelação, tinha montado uma emboscada em forma de meia-lua, numa zona de moranças abandonadas, à espera da nossa tropa, mas como eles "demorassem" a sair, dirigiam-se ao quartel, possivelmente para o atacar novamente, quando se deu o contacto. Foi pedido apoio aéreo e uma parelha de FIAT´s G91 sobrevoou a área efectuando diversos disparos de foguetes, sem consequências.
-EM 15 DE JULHO, UM GRUPO IN ESTIMADO EM 30 ELEMENTOS FLAGELOU À DISTÂNCIA A TABANCA EM AUTO-DEFESA DE CANSAMANGE, APROVEITENDO-SE DE UMA FORTE TROVOADA QUE CAIU SOBRE A REGIÃO. A REACÇÃO DO PELMIL287, COM MORTEIRO 60mm, ARMAS AUTOMÁTICAS E DILAGRAMAS, E DO QUARTEL DO SALTINHO COM FOGO DO MORTEIRO PESADO 10,7mm, PARA AS POSSÍVEIS ZONAS DE FUGA DO IN, TAMBÉM DO MORTEIRO MÉDIO 81mm DE MADINA BUCÔ E A ACTUAÇÃO DE PERSEGUIÇÃO DE ELEMENTOS DO PELCAÇNAT53, AJUDARAM NA RESPOSTA AO IN QUE BATEU EM RETIRADA.
-EM 27 DE JULHO, GRUPO IN APÓS RAPTAR 2 ELEMENTOS DA POPULAÇÃO, ATACOU A TABANCA INDEFESA DE GUERLEEL, QUEIMANDO 12 DAS 15 MORANÇAS, APREENDENDO 3 ESPINGARDAS MAUSER DE ELEMENTOS DA POPULAÇÃO DE CAMPATA QUE ANDAVAM ALI NAS LAVRAS, LEVANDO-OS COM ELES, JUNTAMENTE COM 1 DOS ELEMENTOS ANTERIORMENTE RAPTADOS E 2 VACAS.APÓS ANDAREM 200 METROS PARA FORA DA POPULAÇÃO, LIBERTARAM OS 4 ELEMENTOS, DIZENDO-LHES QUE PODIAM VOLTAR PARA CASA, EM SEGUIDA ATIRARAM UMA RAJADA SOBRE OS DETIDOS ABATENDO 3 DELES E FERINDO 1 QUE FINGIU-SE DE MORTO. ESTE GRUPO DO IN COLOCOU UMA CARGA EXPLOSIVA NO PONTÃO DO RIO PULOM, MAS NÃO OB TIVERAM O EFEITO PRETENDIDO. FORAM PERSEGUIDOS ATÉ À FRONTEIRA PELO PELREC/CCS, REFORÇADO POR ELEMENTOS DO PELMIL318 DE CAMPATA, MAS SEM RESULTADOS.
-AINDA NESTE MÊS, NO QUARTEL DO DULOMBI,a certa altura do dia foi dado alerta para um fumo que saía do paiol das munições do quartel. Preocupação geral para todos, dado que se desse uma explosão no local afetaria todo o quartel e provavelmente a própria tabanca. O responsável pelo armamento e munições era o Alf. Dias, e foi ele que teve de ir ao paiol sozinho para verificar o que se estava a passar. Felizmente tratava-se de uma granada de mão de fumos que abriu, provavelmente por acção do calor ou devido a qualquer defeito no fabrico. Grande alívio para a unidade e para o próprio alferes que suou as estopinhas até ver o que se passava na realidade.
-EM 6 DE AGOSTO, PEQUENO GRUPO IN (5/10) ELEMENTOS FLAGELOU COM ARMAS LIGEIRAS O QUARTEL DE CANCOLIM, SEM CONSEQUEÊNCIAS.
-NO DIA 11 DE AGOSTO,
O CMDT DO CAOP2, O CHEFE OPERACIONAL DO CAOP2, O CHEFE DA REPOPER, O CMDT GERAL
DAS MILÍCIAS E O CMDT DO NOSSO BATALHÃO
VISITARAM O DULOM-
BI. Também nesta data, grupo IN não estimado, atacou durante cerca 30 minutos a Tabanca em auto-defesa de Patê Gibele, com fogo de metralhadoras e RPG´s, retirando após reacção do PELMIL316, ali instalado e do fogo de apoio de Campata. O IN causou a morte de 1 sargento milícia, 1 ferido grave e 1 ligeiro entre a população, queimando 15 moranças. O reconhecimento do itinerário de retirada do IN foi feito pelo PELREC/CCS, que verificou que o IN tinha intenções de assaltar a tabanca, dado que estiveram instalados a 150m do arame farpado que circundava as moranças.
-NO DIA 12 DE AGOSTO, NA OPERAÇÃO “RARO WHISKY”, DESTINADA A LOCALIZAR ELEMENTOS IN QUE, NA VÉSPERA, TINHAM ATACADO A TABANCA DE PATÊ GIBELE, FOI LEVANTADA UMA MINA A/P-PMD-6, POR ELEMENTOS DO 2º GR. COMBATE, EM PAIAI LEMENEI (área onde meses antes tinha havido o contacto/emboscada com o IN).
-EM 14 DE AGOSTO, uma viatura Unimog da CCAÇ3489, accionou uma mina A/C, na picada Anambé-Cancolim, com destruição parcial da viatura, fazendo 12 feridos graves e 1 ferido ligeiro entre as NF e 1 ferido grave da população.
-EM 21 DE AGOSTO, forças da CCAÇ3490(Saltinho) detectaram que elementos IN tinham accionado uma armadilha nossa, na véspera, perto da nascente do Rio Camba.
- Devido ao facto de haver um forte empenhamento do IN na zona do Batalhão, foram lançadas operações pela CCP 121, a 2 GC, na área entre Cancolim e Dulombi, desde 17 de Agosto. Em 24 de Agosto, na zona de Cansamba Jau, os “páras” detectaram um grupo IN estimado em mais de 100 elementos armados e instalado em meia-lua. Tendo em conta o número de inimigos, retiraram e pediram apoio aéreo. O Fiat G91 que veio apoiar, disparou diversos foguetes sobre o IN, originado a sua dispersão e retirada. O Cmdt do grupo dos páras (Sargento) veio a ter problemas disciplinares por não ter atacado o IN, tendo preferido chamar a FA e retirado do lugar.
-EM 24 DE AGOSTO, o IN flagelou a cidade de Bafatá com foguetões 122mm, a partir da zona de Alimo (Cancolim), pensando-se que possa ter sido o numeroso grupo que havia sido detectado, embora sem grandes consequências, para além do susto, de ser um importante aglomerado populacional a ser atacado.
-EM 27 DE AGOSTO, O NOSSO 1º GR. DE COMBATE, COMANDANDO PELO FURRIEL BAPTISTA, FOI REFORÇAR A CCAÇ3489, EM CANCOLIM. ESTA COMPANHIA ESTAVA A PASSAR POR MOMENTOSD DIFÍCEIS, POR TEREM SOFRIDO EM TÃO POUCO TEMPO DE GUERRA 4 MORTOS E UMA DEZENA DE FERIDOS E, PARA ALÉM DISSO, O CAPITÃO E 1 DOS ALFERES, FORAM DE FÉRIAS E DESERTARAM E OUTRO DOS ALFERES FOI COLOCADO NAS UNIDADES AFRICANAS. O RECURSO A UM DOS PELOTÕES DA NOSSA COMPANHIA FOI BASTANTE POSITIVO, PELO EXEMPLO DE UNIDADE DISCIPLINADA QUE MOSTRARAM E QUE AJUDARAM A IMPLEMENTAR JUNTO DAQUELES CAMARADAS. O PRÓPRIO COMANDANTE DO BATALHÃO ESTEVE NA COMPANHIA DURANTE ALGUNS DIAS, PARA LEVANTAR A MORAL DAS TROPAS.
-EM 28 DE AGOSTO, um pequeno grupo IN flagelou Cancolim, sem quaisquer consequências.
-NO DIA 29 DE AGOSTO O SEGUNDO COMANDANTE DO NOSSO BATALHÃO VISITOU O DULOMBI.
-EM 5 DE SETEMBRO, pelas 22h00, um numeroso grupo IN, estimado em 60 elementos, atacou a Tabanca de Anambé, a coberto de uma chuva torrencial que produzia um forte ruído nas chapas de zinco, que cobriam a maior parte das casas, onde se encontrava um Gr.Comb. da CCAÇ3489, de Cancolim, tendo conseguido parte do grupo penetrar nas defesas (!!!), após derrubar 40m de arame farpado, sem serem notados, abrindo fogo de automáticas e RPG´s, apoiados pelo grupo que ficou no exterior, com total surpresa para as NF, que demoraram muito tempo na resposta. O IN capturou um elemento da CCAÇ3489, levando-o com eles, mas no percurso de retirada mataram-no a tiro de pistola, causou ainda mais 3 feridos, apreendeu 1 espingarda automática G3, incendiou uma GMC, 32 bidons de gasolina e destruiu 7 casas. O IN retirou após tiros certeiros de morteiro 81mm e do morteiro 60mm de Sangué Cambomba, na zona onde parte do grupo estava instalado.
-NO DIA 6 DE
SETEMBRO, PELAS 7h10, UM PEQUENO GR. IN, ESTIMADO EM 5 ELEMENTOS, ABRIU FOGO
SOBRE UMA SECÇÃO DA NOSSA COMPANHIA, QUE PREPARAVA-SE PARA MONTAR SEGURANÇA
JUNTO AO RIO FANDAUOL, A CERCA DE 600M DO QUARTEL DO DULOMBI, LOCAL ONDE A
COMPANHIA ABASTECIA-SE DIARIAMENTE DE ÁGUA. CONTUDO, NÃO CONSEGUIRAM
SURPREENDER OS NOSSOS QUE TAMBÉM OS AVISTARAM E ABRIRAM FOGO SOBRE ELES, PONDO-OS EM FUGA. DO QUARTEL AINDA ABRIRAM FOGO DE MORTEIRO 81mm, PARA AS POSSÍVEIS ÁREAS DE FUGA, MAS SEM RESULTADOS. De facto, o IN ao tentar atacar uma actividade diária de recolha de água para o quartel parecia querer indicar que não estávamos seguros, nem a quilómetros do quartel, nem junto ao mesmo. Pensa-se que poderia ser um grupo de reconhecimento às nossas actividades diárias ou um grupo de sapadores com missão de colocar minas nos nossos trajectos
-EM 19 DE SETEMBRO, NA OPERAÇÃO “ÁGUA FRESCA”, LEVADA A EFEITO POR PELO 2º E 3º GR. DE COMBATE DA COMPANHIA, REFORÇADOS COM 1 SECÇÃO DO PELMIL288, NA CONVERGÊNCIA DO RIO CAMBAMBA/RIO CORUBALO, DETECTOU-SE O LOCAL ONDE O IN CAMBAVA O RIO E JÁ JUNTO DO RIO CORUBALO (UM DOS GRANDE RIOS DA GUINÉ), TIVEMOS A VISITA INESPERADA DO COMANDANTE-CHEFE, GENERAL SPÍNOLA E DO COMANDANTE DO BATALHÃO QUE SE FAZIAM TRANPORTAR NUM HÉLIO “ALOUETTE III”, TENDO COMO APOIO UM OUTRO HÉLIO COM CANHÃO AUTOMÁTICO, QUE JUNTO DO ALF. DIAS (QUE COMANDAVA A OPERAÇÃO) PROCUROU INFORMAR-SE DOS PORMENORES DA OPERAÇÃO, LOCAIS DETECTADOS PARA A CAMBANÇA, PONTOS ESCOLHIDOS PARA EMBOSCAR OU COLOCAR MINAS A/P.
-Em 20 de Setembro, um Bi-grupo IN, quando se aproximava da Tabanca Sinchã Maunde Bucô/Saltinho para a atacar e a cerca de 3km desta, accionou uma armadilha, que alertou a população e as milícias que se organizaram e, apoiados pelo tiro do morteiro 81mm, avançaram para o local, efectuando fogo de armas ligeiras e dilagramas, conseguindo que o IN debandasse, após terem lançados granadas de RPG 7 em direcção à Tabanca. Em plena retirada elementos IN accionaram nova armadilha na zona do Quirafo. Admite-se, pelo sangue existente, que o IN tenha sofrido 3 feridos.
-NO DIA 22 DE SETEMBRO, REGRESSOU AO DULOMBI O 1º GR. COMBATE QUE TINHA ESTADO DE REFORÇO À CCAÇ3489, EM CANCOLIM.
- A 26 de Setembro pequeno grupo IN flagelou uma pequena Tabanca constituída por 8 casas e que se situava a 300m da Tabanca de Bojo Fulpe, por volta das 21h45. Cinco minutos depois, um outro grupo, estimado em 60 elementos, atacou a Tabanca de Bangacia/Galomaro, na altura sem milícias, durante 5 minutos, conseguindo alguns elementos do grupo entrar na tabanca. Entretanto o PELREC/CCS que se encontrava emboscado nas proximidades, efectuou fogo de morteiro 60mm, no que foi acompanhado pelo morteiro 81mm de Campata. Ao pressentir que se teria de haver com forças militares que estavam perto, o IN retirou atravessando a picada Galomaro-Dulombi, seguindo em direcção a Padada. Da sua acção resultou a morte de 1 milícia e 2 elementos da população, o incêndio de 68 das 260 casas, a destruição pelo fogo de 5 espingardas Mauser e o desaparecimento de outras 3, todas atribuídas à população.
-EM SETEMBRO MANTEVE-SE O RITMO DE ACTIVADE OPERACIONAL, CONTANDO O BATALHÃO COM O APOIO DOS PÁRAQUEDISTAS DA CCP 121, A 2GR. COMBATE, QUE EFECTUOU UMA OPERAÇÃO DE 2 DIAS NA ZONA DE ACÇÃO DA NOSSA COMPANHIA. FORAM ESCOLTADOS DESDE GALOMARO ATÉ AO JIFIM (PASSANDO POR DULOMBI), PELO 2º GR. COMBATE, COM PICAGEM DA ESTRADA E SEGURANÇA FEITA PELO 3º GR. COMBATE E VINDO A SER RECOLHIDOS DEPOIS DA OPERAÇÃO PELOS MESMOS GR. COMBATE, NO PERCUROS INVERSO.
-EM 2 DE OUTUBRO,
PELAS 17H10, FORÇAS DO IN, ESTIMADAS EM 40 ELEMENTOS FLAGELARAM O DULOMBI COM
ARMAS AUTOMÁTICAS E RPG´S, DURANTE CERCA DE 10/15 MINUTOS, ESTANDO A SUA BASE
DE FOGOS COLOCADA A 700m DO QUARTEL. FOI A 1ª VEZ E ÚNICA QUE A BASE IN FOI
COLOCADA DO LADO DA TABANCA(POPULAÇÃO)-ÁREA DO QUIRAFO (NORMAL-
MENTE) ERA SEMPRE DO
LADO DO QUARTEL), OBRIGANDO A RODAR OS NOSSOS MORTEIROS MÉDIOS DE 81mm, ENTRE
90º E 180º GRAUS E ATIRAR AS GRANADAS
SOBREVOANDO AS MÊS-
MAS PARTES DO QUARTEL E A ÁREA DA POPULAÇÃO. UMA DAS GRANADAS, POR DEFEITO, FEZ UM CURTO VOO, NÃO GANHOU ALTURA E CAÍU NO MEIO DA PARADA, JUNTO AO MONUMENTO AOS MORTOS DA CCAÇ2700, NÃO TENDO REBENTADO FELIZMENTE (NÃO OBTEVE INÉRCIA SUFICIENTE PARA ARMAR O PERCUTOR). UMA OUTRA, TAMBÉM DEFEITUOSA, ENTERROU-SE À PORTA DA MORANÇA DO ALFAIATE DA TABANCA, SEM ESTOIRAR E O HOMEM APANHOU UM GRANDE SUSTO, PASSANDO A DIZER QUE O QUERÍAMOS MATAR (TALVEZ POR SABER QUE DESCONFIÁVAMOS SER ELE O INFORMADOR DO PAIGC INFILTRADO NA TABANCA).
-Em 12 de Outubro, elemento IN, trajando um uniforme nº 3 das nossas forças, aproximou-se da Tabanca em auto-defesa de Cansamba, chamando pela sentinela, que era, nesse posto, um milícia. Este abriu fogo pondo o indivíduo em fuga. No dia seguinte, elementos da CCAÇ3490/Saltinho levantaram no itinerário que liga Cansamba a Galomaro uma mina A/C-TMD, com disparador de pressão semelhante ao nosso, reforçada por 1 granada de mão defensiva F1. A mina foi detectada por elemento da população e o grupo que a colocou, ao qual pertenceria o indivíduo que se aproximou de Cansamba, foi estimado em 15 elementos.
-Em 17 de Outubro, pelas 19h00, um grupo IN estimado em 50 elementos, atacou durante cerca de 5 minutos a Tabanca em auto-defesa de Dulô Gengele, com armas ligeiras e RPG´s. Ao sentirem que a reacção das milícias não se estava a dar, alguns elementos do IN, levantaram parte do arame farpado e a rastejar penetraram na tabanca. Foi na altura que se deu a reacção das milícias e da população armada, repelindo o IN, com fogo de armas ligeiras e o lançamento de dilagramas. Em resultado o IN sofreu 3 mortos confirmados e vários feridos, perdendo vários carregadores de kalashnikov e 3 granadas de mão chinesas. Do lado das milícias houve 1 ferido grave e 1 ferido ligeiro e do lado da população houve 3 mortos (que o IN havia feito prisioneiros antes do ataque e que depois abateram), 4 feridos graves e 5 ligeiros. O IN libertou uma mulher que também haviam aprisionado conjuntamente com os homens e no ataque queimaram 50 casas. Foi de louvar a atitude do comandante do PELMIL368 que colocou os seus homens em posição e aguardou a oportunidade de abrir fogo, quando alguns elmentos do IN já estavam ao alcance das armas ligeiras.
AINDA EM OUTUBRO, EM VIRTUDE DE TERMOS CEDIDO PARTE DA NOSSA ÁREA DE INTERVENÇÃO MAIS LONGÍNQUA, À CCAÇ(NAT)5, INSTALADA EM CANJADUDE, DESLOCOU-SE ÀQUELA UNIDADE, O ALF. PARENTE (4º GR. COMBATE) E O FURRIEL BAPTISTA(1º GR. COMBATE), ESPECIALISTAS EM MINAS E ARMADILHAS, PARA LOCALIZAÇÃO E TRANSFERÊNCIA DA ZONA MINADA PARA AQUELA UNIDADE.
EM 6 DE NOVEMBRO, QUANDO O 4º GC DA NOSSA COMPANHIA PROCEDIA À PICAGEM DO ITINERÁRIO DULOMBI-GALOMARO E A 2KM DO PRIMEIRO DETECTOU E LEVANTOU UM MINA A/C TM-46 DE ORIGEM SOVIÉTICA.
Em 8 de Novembro, grupo IN não estimado atacou a Tabanca indefesa de Sarancho, matando 2 civis e fazendo 2 feridos, queimando 15 das 26 moranças e danificando a cobertura da mesquita. O IN retirou depois do PELMIL289, de Umaro Cossé, ter lançado diversas granadas de morteiro 60mm que acertaram na base de fogos do inimigo, provocando-lhes baixas, pelos inúmeros rastos de sangue deixados no local e ter acorrido em socorro da tabanca atingida. Foi recolhida uma granada de RPG2. O 2º e 3º GC da nossa CCAÇ, comandados pelo Alf. Dias, sairam do Dulombi lançados para interceptar o IN e tiveram bastante perto de os alcançar e aniquilar, mas tendo o IN notado que estava a ser perseguido, foram largando material diverso, para aligeirarem o peso que transportavam e assim alcancarem o Rio Corubalo, passando para o outro lado. Foi uma das situações em que estivemos muito próximos do grupo atacantee íamos no seu encalce com uma “raiva” enorme porque tínhamos conhecimento da morte de civis (que estavam indefesos e escondidos numa vala) aquando do ataque. O regresso foi penoso, devido ao esforço realizado. Os dois GC chegaram à base completamente “estoirados”, tendo sido recolhidos na picada por viaturas do Dulombi.
Em 13 de Novembro, um
grupo não estimado do PAIGC, pelas 22h15, atacou a Tabanca indefesa de Samba
Cumbera, durante 15 minutos, com armamento ligeiro, causando 1 ferido na
população e queimando 40 das 45 moranças. Antes do ataque o IN capturou um elemento
da população, obrigando-o a indicar-lhes o caminho para Samba Cumbera,
aproveitando o ataque, o indivíduo conseguiu fugir.
Elementos do PELMIL316 e alguns civis de Dulô Gengele, foram em socorro da tabanca atacada e tiveram um encontro com o IN, quando este já estava em retirada. Desse contacto, pensa-se que o IN sofreu baixas, face aos rastos de sangue deixados no terreno, ligaduras ensanguentadas e ampolas de injecções encontradas. Recolheu-se 1 granada de RPG2.
Em 15 de Novembro, pelas 9h30, foi accionada uma mina A/P reforçada, por elemento do PELREC/CCS, quando procedia à picagem da estrada Galomaro-Rio Pulom-Saltinho, tendo resultado na sua morte.
Em 17 de Novembro, o IN flagelou o quartel de Cancolim durante 10 minutos, sem consequências.
EM 21 DE NOVEMBRO, PELAS 15H45, O IN FLAGELOU NOVAMENTE O DULOMBI COM ARMAMENTO LIGEIRO E RPG´S, DURANTE 5 MINUTOS, SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS.
Em 1 de Dezembro,
pelas 22H00, grupo IN não estimado, mas numeroso, atacou a sede do
Batalhão-Galomaro, com elevado potencial de fogo, especialmente de granadas de
RPG´s, causando 1 ferido grave e 6 feridos ligeiros na população, 1 ferido
ligeiro às NT, prejuízos materiais no quartel e o incêndio de 4 moranças da
população. O IN conseguiu aproximar-se do quartel, protegido por animais que
estavam na pastagem, sendo detectados por duas sentinelas que dispararam alguns
tiros para aquela zona, o que motivou o IN a desencadear o ataque, que não teve
piores consequências, primeiro devido à acção de duas sentinelas-um pouco mais
tarde e os guerrilheiros ter-se-iam posicionado bem perto do arame e alvejado
com melhor certeza o quartel-depois, face à justeza dos tiros de morteiro 81mm
(manobrados por dois 1º Cabos auxiliares enfermeiros da CCS) e um dos morteiros
60mm do aquartelamento, atingiram a área onde o IN estava instalado, causando
um morto confirmado, que abandonou no terreno(foi enterrado à pressa com a
bolsa de enfermagem) e indícios de muitos feridos graves pelos rastos de
sangue, para além de muito material apreendido.
A aproximação do IN
foi feita por Canjai (A)-Padada-Picada Galomaro-Dulombi-Nascente do R.
Cumbancoli-Nascente Rio Umada-Fonte Bangacia-Sinchã Nhacori-Sinchã Delo -
Sinchã Puloro e retiraram pelas mesmas zonas. Material apreendido: 1 pistola
Tula Tokarev TT33, com respectivas munições, cinturão e coldre; bolsa para
carregadores AK-47; 3 carregadores de
AK-47, 1 granada defensiva chinesa; 1 almotolia de óleo; 7 granadas para RPG7 e
mais de 100 munições de armamento ligeiro. Este ataque iria ter repercussões no
futuro da CCAÇ 3491 e no Dulombi.
Em 13 de Dezembro, estando o Alferes L. Dias a tirar o Estágio de Unidades Africanas em Bolama, esta foi atacada, ao cair da noite, por morteiros 82mm e canhões sem recuo B-10, também de 82mm, causando alguns feridos ligeiros entre elementos de um batalhão chegado nesse dia para o IAO e estragos materiais nas áreas circunvezinhas das messes de oficiais e sargentos. O ataque foi comandado por Nino Vieira, com assistência de conselheiros cubanos (foram ouvidas as suas transmissões em espanhol) e com base de fogos na zona de S. João (situada em frente a Bolama, do outro lado do rio) onde estava um aquartelamento de dois PELCAÇNAT, que ripostou ao fogo inimigo (local onde o Alf.Dias, também estivera uma semana, saindo em operação com elementos ali aquartelados, durante o estágio).
Em 17 de Dezembro, pelas 19h30, grupo IN estimado em 30 elementos flagelou a Tabanca em auto-defesa de Cansamange, a partir de uma distância de 900m, com disparos de RPG´s, sem consequências. A reacção imediata do PELMIL287 e o fogo do morteiro pesado 10,7mm do Saltinho fizeram que batessem em retirada.
EM 20 DE DEZEMBRO, O CMDT-CHEFE, GENERAL SPÍNOLA, ESTEVE NO DULOMBI, INOPINADAMENTE, PROCURANDO INTEIRAR-SE, JUNTO DO ALF. DIAS(REGRESSADO DO ESTÁGIO DAS UNIDADES AFRICANAS EM BOLAMA) E QUE COMANDAVA A COMPANHIA NA ALTURA, SOBRE UMA DAS ÚLTIMAS FLAGELAÇÕES SOFRIDAS, ESPECIALMENTE SOBRE O ITINERÁRIO DE RETIRADA DOS GUERRILHEIROS, QUE ILUCIDOU O NOSSO GENERAL DO QUE SE PASSAVA E COMO OS TRILHOS DE RETIRADA ERAM, MUITAS VEZES, DISFARÇADOS.
Em 22 de Dezembro, ao fim da tarde, grupo IN estimado em 15 elementos flagelou Cancolim com RPG´s e fogo de automáticas, durante 10 minutos, sem quaisquer consequências.
EM 26 DE DEZEMBRO O 4º GC DO DULOMBI, COMANDANDO PELO ALF. PARENTE, FOI REFORÇAR A SEDE DO BATALHÃO, EM GALOMARO E, NO ANO SEGUINTE, IRIAM PROCESSAR-SE ALTERAÇÕES PROFUNDAS NO SECTOR E SU-SECTOR, PORQUE O IN EM DEZEMBRO, PARA ALÉM DE TER ATACADO GALOMARO, FLAGELOU CANSAMANGE/SALTINHO E CANCOLIM.
Neste mês, o
PELMIL353 terminou o treino no CIM do Pelundo e foi colocado em Bangacia, pelo
que um GC da CCS, que ficava no local todos os dias até às 24h00, deixou de ali
pernoitar. Também Sinchã Maunde Bucõ, recebeu o PELMIL354, formado no CIM de Bambadinca.
1973
Em 8 Janeiro, forças IN, estimadas em 30 elementos, emboscaram 1 secção do PELMIL347 de Anambé, que procedia à picagem do itinerário Anambé-R. Xancara, causando 2 mortos, 1 ferido e apreendendo 2 espingardas automáticas G3. Julga-se que a emboscada estaria montada para a coluna de Cancolim, mas como os milícias deitaram fogo ao mato onde o IN se acoitava, estes tiveram de atacar a milícia. Esta era a 7ª emboscada/contacto que o PAIGC efectuava às forças do Sector do Batalhão, desde 11 de Março de 1972, 2 na área do Saltinho, 2 na área de Cancolim, 1 na área de Galomaro e 2 na área do Dulombi, mesmo que 3 delas tenham sido a forças de milícias.
Em 18 de Janeiro, um grupo IN de 40 elementos aprisionou 16 elementos da população que percorriam a picada Saltinho-Galomaro. O grupo que era comandado por Malan Nuno Seidi, libertou as pessoas no dia seguinte, depois de lhes ter roubado o dinheiro que possuíam.
A 20 de Janeiro (6ª Feira), soube-se, pela rádio, do assassinato de Amílcar Cabral, em Conacri, ao que tudo indicava, devido a uma revolta dentro do próprio PAIGC. Muitos elementos da população e alguns de nós, acreditavam que a guerra iria acabar. Contudo, quando se soube que o novo dirigente máximo seria Luís Cabral, logo se pensou que a luta iria endurecer, dado que o novo dirigente máximo fora um combatente, que andara no mato e que, portanto, era mais um militar do que um político. A razão iria estar do lado dos que pensaram assim.
Em 26 de Janeiro, apresentaram-se no Saltinho 4 elementos do PAIGC, devidamente fardados, sendo que um deles era chefe de grupo e que estacionavam provisoriamente em Madina do Boé.
Em 1 Fevereiro, um grupo IN estimado em 60 elementos volta a atacar a Tabanca de Bangacia, perto de Galomaro, com fogo de RPG´s e de armas automáticas, tentando entrar na Tabanca por 2 vezes, após derrubar a rede de arame farpado, não o tendo conseguindo devido à reacção do PELMIL353, recentemente ali colocado e ao fogo dos morteiros 81mm de Cansamba e de Campata. O ataque causou 2 mortos e 2 feridos ligeiros na população e 1 ferido grave e 1 ligeiro (sarg. 2ªLinha milª) nas milícias, destruindo meia centena de casas. Na retirada o IN e implantou uma mina A/C, reforçada com granada de RPG, na Picada Galomaro-Dulombi (entre Mali Bula e a nascente do Rio Fanharé), que foi accionada por uma viatura das NT (coluna c/GC CCAÇ 3490, reforçada por 1 Secção do PELSAP/CCS), provocando 1 ferido grave (cond-auto-rodas da CCS) e a destruição parcial de um Unimog 411. O 4º GC da CCAÇ 3491, que reforçava Galomaro e que estava emboscada na zona, foi em socorro de Bangacia tendo ali pernoitado. O 1º GC da nossa CCAÇ, reforçado por 1 Secção do PELMIL288, pelas 00H30, saíu do Dulombi e foi montar uma emboscada na zona de Samba Arabe, embora sem resultados. O PELREC/CCS c/PELMIL318 iniciaram o reconhecimento do itinerário de retirada do IN.
Em 4 Fevereiro, o Cmdt Chefe, General Spínola esteve em Bangacia a avaliar os estragos feitos pelo ataque do PAIGC.
EM 10 DE FEVEREIRO, O CMDT-CHEFE, GENERAL SPÍNOLA, O CMDT DA CAOP2, O CMDT-GERAL DAS MILÍCIAS E O 2º COMANDANTE DO BATALHÃO, VISITARAM O DULOMBI (2ª VISITA EM CURTO ESPAÇO DE TEMPO). ESPERAVA-SE QUALQUER COISA DE NOVO.
EM 28 DE FEVEREIRO, APRESENTOU-SE NO DULOMBI O PELMIL373, QUE VEIO REFORÇAR A NOSSA UNIDADE, ONDE JÁ EXISTIA O PELMIL288.
Na mesma data, a Tabanca de Dulô Gengele, na zona de Galomaro, recebeu o PELMIL368.
EM 4 DE MARÇO, O 3º GC, COMANDADO PELO ALF. FARINHA, PARTIU PARA PICHE PARA REFORÇAR O BCAÇ3883. UNS DIAS ANTES, ESTANDO O ALF. DIAS COMO COMANDANTE INTERINO DA COMPANHIA (ERA O 2º COMDT DESDE FINAIS DE JULHO DE 1972), POR AUSÊNCIA DO CAPITÃO PIRES (EM GOZO DE FÉRIAS), RECEBEU ORDEM DO CMDT DO BATALHÃO PARA ORGANIZAR A CCAÇ QUE ESTAVA NO DULOMBI E INFORMAR O NÚMERO DE VIATURAS NECESSÁRIO, DE FORMA QUE, EM 3 DIAS, SER TRANSFERIDA PARA GALOMARO, INFORMAR OS MILITARES QUE FICARIAM, EM CONJUNTO COM OS DOIS PELOTÕES DE MILÍCIAS, E QUEM FICARIA A COMANDAR.
OS SINAIS ESTAVAM A SER EVIDENTES: O IN ATACAVA OS ALDEAMENTOS ENVOLTA DE GALOMARO, COM ALGUMA PERSISTÊNCIA, DULOMBI RECEBIA OUTRO PELOTÃO DE MILÍCIAS DE REFORÇO, AS VISITAS “INOPINADAS” DO CMDT-CHEFE, O ATAQUE UNS TEMPOS ANTES A GALOMARO, SEDE DO BATALHÃO E ESTANDO O SUB-SECTOR DO DULOMBI RELATIVAMENTE CONTROLADO (GRAÇAS, COM CERTEZA, AO ESFORÇO QUE SE DESPENDIA), TUDO LEVAVA A PENSAR QUE A CCAÇ3491 IRIA ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS, EMBORA NOS CUSTASSE MUITO SAIR DO DULOMBI. ÍAMOS ALARGAR HORIZONTES, ACRESCENTADO AO SUB-SECTOR DO DULOMBI, O SUB-SECTOR DE GALOMARO E AS NUMEROSAS TABANCAS QUE A ENVOLVIAM E AINDA TER UM GC EM INTERVENÇÃO PERMANENTE, PRIMEIRAMENTE NO BATALHÃO DE PICHE E, POSTERIORMENTE, NO BATALHÃO DE NOVA LAMEGO E ATÉ DE PIRADA.
EM 8 DE MARÇO, UM ELEMENTO IN, FARDADO DE CAMUFLADO (DO TIPO ARGELINO) E ARMADO COM UMA PISTOLA-METRALHADORA “SHEPAGIN” PPSH-41, APRESENTOU-SE A UMA PATRULHA DE RECONHECIMENTO (1º GC) DO DULOMBI, JÁ BEM PERTO DO QUARTEL. O ELEMENTO IN VINHA DE MADINA DO BOÉ E ERA ORIUNDO DA BASE DE KAMBERRA, NA GUINÉ CONACRI.
EM 9 DE MARÇO, A
COMPANHIA PARTIU PARA GALOMARO, DEIXANDO NO DULOMBI 13 ELEMENTOS, COMANDADOS
PELO FURRIEL GONÇALVES (ATIRADOR DE INFª DO 2º GC) E, POSTERIORMENTE, O FURRIEL
SOARES (TRMS DE INFª), QUE TINHA FICADO, INICIALMENTE, COMO ADJUNTO E OS PELMIL288 E 373, PARA DEFENDEREM O
AQUARTELAMENTO DO DULOMBI E A TAB ANCA ADJACENTE. O SUB-SECTOR DO DULOMBI SERIA
INTEGRADO EM GALOMARO.
DESTE MODO, A PARTIR DE 10 DE MARÇO DE 1973, O DISPOSITIVO OPERACIONAL DO NOSSO BCAÇ PASSOU A SER O SEGUINTE:
FORÇAS MILITARES:
CCS c/PELREC e PELSAP - Galomaro
CCAÇ 3489-Cancolim
CCAÇ 3490-Saltinho e 1 GC em Cansamba/Galomaro
CCAÇ 3491-Galomaro e Dulombi c/3 GC (o outro GC de
intervenção em Piche/Nova Lamego) e 13 elementos no Dulombi
PELCAÇ(NAT)53-Saltinho
FORÇAS DE MILÍCIAS:
PELMIL 256-Deba
PELMIL 287-Cansamange
PELMIL 288-Dulombi
PELMIL 289-Umaro Cossé
PELMIL 290-Cancolim
PELMIL 304-Contabane
PELMIL 315-Cansonco
PELMIL 316-Patê Gibele
PELMIL 317-Cansamba
PELMIL 318-Campata
PELMIL 347-Anambé/Sangue Cabomba
PELMIL 353-Bangacia
PELMIL 354-Sinchã Maunde Bucõ
PELMIL 368-Dulô Gengele
PELMIL 373-Dulombi
PELMIL 397-Bangacia (Só a partir de Setembro73)
PELMIL 398-Samba Cumbera (Só a partir de Setembro73)
EM 16 DE MARÇO, ÀS 17H55, GRUPO IN ESTIMADO EM 15 ELEMENTOS FLAGELOU O DULOMBI DURANTE 20 MINUTOS, SEM CONSEQUÊNCIAS, ABANDONANDO NA BASE DE FOGOS DIVERSAS GRANADAS DE RPG´S.
NO MESMO DIA, PELAS
21H15, O IN, ESTIMADO EM 55 ELEMENTOS, ATACOU A TABANCA DE CAMPATA, COM FORTE
PODER FOGO, MAS TEVE DE BATER EM RETIRADA FACE À REACÇÃO DAS FOREÇAS MILÍCIASA
(PELMIL318), MUITO BEM COMANDADAS, DEIXANDO NO TERRENO 5 MORTOS E DIVERSO
MATERIAL, MAS CAUSANDO À MILÍCIA 1 MORTO( SARG. 2ª LINHA MILÍCIA)E 1 FERIDO
GRAVE (SARG. 2ª LINHA MILÍCIA) E 3 MORTOS (SENDO QUE 1 DELES ERA UM AUXILIAR DA
ENFERMARIA DO QUARTEL DE GALOMARO), 10 FERIDOS GRAVE E 8 LIGEIROS À POPULAÇÃO,
QUEIMANDO 42 MORANÇAS
E 2 ESPINGARDAS MAUSER.
AS FORÇAS DE MILÍCIAS
DE PATÊ GIBEL E DULÔ GENGELE DIRIGIRAM-SE PARA A TABANCA ATACADA E TAMBÉM O 4º
GC DA NOSSA CCAÇ, QUE ESTAVA EMBOSCADO RELATIVAMENTE PERTO. NA RETIRADA DO IN
HOUVE CONTACTO COM AS NOSSAS FORÇAS EM DULOMBI (A), PONDO-SE EM FUGA, DEIXANDO
MASI MATERIAL NO TERRENO E PELOS VESTÍGIOS DE SANGUE ENCONTRADOS, LEVANDO COM
ELES MAIS ELEMENTOS FERIDOS. NESTA ACÇÃO FOI CAPTURADO UM GUERRILHEIRO COM A
RESPECTIVA ARMA. ENTRE O MATERIAL RECOLHIDO SALIENTAM-SE:2 ESPINGARDAS
KALASHNIKOV AK-47, 1 PISTOLA TOKAREV TT33, 5 RPG-2, 2 GRANADAS PARA RPG-2,
VÁRIAS GRANADAS DEFENSIVAS F-1(ORIGEM SOVIÉTICA) E CHINESAS DE CABO EM MADEIRA,
24 CARREGADORES PARA AK-47, 2 BOLSAS PARA CARREGADORES AK-47, 100 MUNIÇÕES
7,62mmM43, UMA FITA PARA MET. LIGEIRA DECTYAREV RPD, COM O RESPECTIVO TAMBOR EM
METAL.
OS ELEMENTOS MILÍCIAS FERIDOS E ELEMENTOS DA POPULAÇÃO TAMBÉN FERIDOS, FORAM RECOLHIDOS EM BANGACIA E TRANSPORTADOS PARA GALOMARO PELO 2ºGC/CCAÇ3491, REFORÇADO POR 1 SECÇÃO DO PELREC/CCS, QUE SE DESLOCARAM A BANGACIA VIA AUTO E DEPOIS A CAMPATA, APÓS PICAGEM. POSTERIORMENTE INICIARAM ACÇÃO DE RECONHECIMENTO NO TERRENO DOS ITINERÁRIO DE FUGA DO IN, PELAS 5H30, JÁ DO DIA 17.
Foram recebidas
menções elogiosas do Comando Chefe, para a boa e adequada reacção do comando do
Sector, face ao ataque IN a Campata. Ao PELMIL318 de Campata, pela determinação
demonstrada no ataque que sofreu e ao PELMIL316 de Patê Gibel pela reacção e
intervenção sobre o IN que atacou Campata.
Com a captura de um
elemento do PAIGC surgiu em Galomaro, no dia seguinte, o Cmdt das Forças
Especias, o então Major Comando Almeida Bruno, acompanhado do Alf. Cmd,
Marcelino da Mata e do seu Grupo de Operações Especiais. O Grupo era composto
por 16 elementos, armados com 1 espingarda automática (de assalto) SA Vz.58 e 1
espingarda automática (de assalto) Kalashnikov AK-47(o Furriel), 7
metralhadoras ligeiras Dectyarev RPD e 7 lança granadas foguete (RPG2 e RPG7).
Depois de se conseguir obter do detido a orientação da base IN, situada na
República da Guiné-Conacri, junto à nossa fronteira, aquela força fez-se
transportar pelo fim da tarde de hélio até perto do local, vindo a ser
recolhida no dia seguinte, do nosso lado, após assalto à base do PAIGC, que
destruíram. Antes da partida ainda perguntámos ao Marcelino se achava que os 16
elementos seriam suficientes para o assalto, dado que as informações colhidas
diziam ali estarem cerca de 40/50 guerrilheiros, ao que ele respondeu, com ar
zombeteiro: "E só lá entro com 10,
os outros ficam de reserva!".
Durante o mês de Março, foi reconhecida a Actividade Operacional pelo Cmd-Chefe do TO, em especial as actividades das milícias de Campata, Paté Gibele, Cansamange e da CCAÇ 3491, revelada na Operação "Corrida Honrosa", efectuada na região do R. Corubalo. Foi ainda salientado os trabalhos nos re-ordenamentos de Bangacia e Dulombi.
Em 3 de Abril, 2 elementos milícias de Cansamange/Saltinho, avistaram grupo IN, estimado em 60 elementos, instalados junto ao Rio Manganagi. Correram a avisar a população e o comandante de milícias (PELMIL287), após reunir as suas forças, partiu em direcção onde o grupo estava instalado e depois de um breve contacto, conseguiram que os guerrilheiros dispersassem, seguindo em direcção do Rio Cantoro. Pensa-se que o grupo estava a descansar para ir mais tarde atacar a Tabanca de Cansamange.
Em 10 de Abril,
deslocou-se a Galomaro o Cherno Rachid, imã muçulmano de Aldeia Formosa e foram
recebidos alguns jornalistas que foram visitar Bangacia e o seu re-ordenamento.
Em 15 de Abril, grupo IN estimado em 15 elementos, flagelou com armas ligeiras e RPG´s, durante 3/5 minutos, o quartel de Cancolim, sem quaisquer consequências.
Em 25 Abril, o 4º GC CCAÇ 3491, efectuou escolta ao Cmdt Batalhão, numa coluna auto ao Saltinho, via Bambadinca, Mansambo e Xitole (O nosso cmdt ia-se passando quando viu os cabelos compridos de muitos dos elementos das NT da CART3492, do Xitole, que pertencia ao BART3873 de Bambadinca).
A moral das NT foi afectada pelas notícias de que os hélios não iam ao mato buscar feridos, devido aos mísseis“Strella”(SAM7) lançados pelo IN (foi difícil manter a actividade operacional com estas informações...).
A VIDA DA CCAÇ3491 EM GALOMARO ERA DE INTENSA ACTIVIDADE OPERACIONAL, COM OPERAÇÕES DE 36 HORAS TODAS AS SEMANAS, A 2 GC, EM ESPECIAL NA NOSSA ANTERIOR ZONA DO DULOMBI E EMBOSCADAS NOCTURNAS DIÁRIAS, ENTRE AS 18H00 E AS 24H00, ESTAS NA ÁREA DE GALOMARO, EFECTUADAS CONJUNTAMENTE COM O PELREC E O PELSAP DA CCS.
Em 8 de Maio, 1 GC da CCAÇ3491, procedeu à escolta de uma coluna de abastecimentos ao Saltinho, seguindo por Galomaro-Bambadinca-Mansambo-Xitole-Saltinho e vice-versa, sem quaisquer incidentes.
Em 14 de Maio, grupo IN, estimado em 25 elementos, flagelou com armas ligeiras e RPG´s, a uma certa distância, a Tabanca de Sinchã Maunde Bucô, sem consequências, dada a distância a que estavam do local. O PELMIL287, de Cansamange saiu atrás do IN, bem como o PELMIL354, da tabanca flagelada, conseguindo o primeiro, um breve contacto com o grupo IN, obrigando-o a dispersar.
Em 6 de Junho, o PELSAP/CCS foi para Buruntuma, ficando à ordem do Cmd-Chefe até ao dia 15 de Junho, tendo regressado a Galomaro. Voltou a partir no dia 20 para Buruntuma, ficando à ordem do Cmdo-Chefe.Teriam sido utilizados para colocarem minas A/C e A/P, na zona de fronteira.
Em 10 de Junho, forças do PAIGC, estimadas em 20 elementos, flagelaram o quartel de Cancolim, sem quaisquer consequências. Apreendido um carregador de pistola TT33, com munições.
Em 29 de Junho, na zona de intervenção da CCAÇ3490/Saltinho foi levantada uma mina A/P reforçada.
Neste mês, o comando do Batalhão solicitou a colocação de artilharia, a 3 bocas, na sede do Batalhão e a atribuição de meios-rádio aos pelotões de milícias que defendem os diversos re-ordenamentos o que nunca veio a ser feito e teria dado muito jeito.
Em 17 de Julho, regressou a Galomaro o PELSAP, o qual esteve em Buruntuma às ordens do Comando-Chefe.
EM 19 DE JULHO, O 3ºGC DA CCAÇ3491(ALF. FARINHA) QUE ESTAVA EM PICHE, FOI SUBSTITUÍDO PELO 2º GC (ALF. DIAS) E VOLTOU PARA GALOMARO.
Durante os meses de Julho e Agosto o IN não manifestou actividade na nossa área e conforme informações recebidas, os bi-grupos do Boé e 1 grupo da base Djargadongo, teriam ido reforçar a frente Bafatá-Gabu Norte, mas pensamos que a operação das forças especiais do Alf. Cmd. Marcelino da Mata, na REP. GUINÉ-CONACRI, uns meses antes, possam ter desorganizado o IN que actuava no ataque às tabancas das populações da área de Galomaro.
O GC DA CCAÇ3491 QUE
ESTAVA COLOCADO EM PICHE TINHA COMO PRINCIPAL MISSÃO, A SEGURANÇA AOS TRABALHOS
DA “TECNIL”, NA ESTRADA PICHE-BURUNTUMA, EMBOSCADAS NOCTURNAS NOS ARREDORES DE
PICHE E ESCOLTAS DE ACÇÃO PSICOLÓGICA NOS ALDEAMENTOS DA ZONA. Nós até tínhamos
uma canção sobre esta missão:
Tecnil! Tecnil!
Eu passei lá muitas
noites
Certamente mais de
mil
Tecnil! Tecnil!
Quando aparecem
macacos
Vira jardim infantil
O dia iniciava-se com
alguns disparos de artilharia para a zona para onde nos dirigíamos e depois lá
saia a coluna, formada por elementos do Esquadrão de Reconhecimento de
Cavalaria, com carros Chaimite e White, as viaturas da "Tecnil" e o
nosso GC. Passávamos o dia todo em defensiva, ao longo da área da execução dos
trabalhos e regressávamos ao fim da tarde.
Quando ali esteve o
3º GC, foi sugerido que as viaturas de transporte não tivessem os taipais e os
bancos fossem colocados ao meio (lembrança da emboscada do Quirafo a um GC da
CCAÇ 3490, com desastrosas consequências). Quando ali esteve o 2ºGC, por
sugestão nossa, os disparos de artilharia (peça 11,4mm) passaram a ser feitos
quando já estávamos a rodar na estrada e não antes da saída, que dava tempo para
que o IN montasse uma emboscada. Numa dessas viagens a coluna sofreu uma
emboscada, mas quer os nossos elementos, quer os do Esquadrão de Cavalaria
responderam bem ao fogo e puseram rapidamente o IN em fuga. A forma como a
Chaimite, com as suas duas metralhadoras ligeiras 7,62mm e principalmente a
White, com a metralhadora Browning 12,7mm, efectuavam um varrimento, batendo a
área de fogo do IN, tudo em movimento, era impressionante. Num dos locais onde
se escondiam elementos inimigos, as balas bateram tão perto, que um deles, por
ter ficado preso nos ramos de uns arbustos, largou as calças para melhor fugir.
Nós riamos a pensar o que é que os outros
lhe iriam perguntar quando chegasse à base deles. Mas se esta emboscada
correu bem, noutra, uma granada de RPG-7, disparada a poucos metros da estrada
(5 a 10m), perfurou a blindagem de uma Chaimite atingindo com estilhaços os
elementos da guarnição no interior, ficando eles feridos (incluindo o Alferes).
O operador IN do RPG ainda teve tempo de disparar uma segunda granada que
atingiu um Furriel que vinha sentado atrás, junto à antena de rádio, matando-o.
Numa outra flagelação à parte da frente
da coluna, houve uma resposta do nosso bazuqueiro (1º cabo Reis), após
permissão do Furriel E. Santo, para que ele atirasse para o outro lado da
estrada uma granada foguete, onde poderiam passar ou estar acoitados elementos
IN. O nosso militar apertou o gatilho uma e outra vez e nada. Danado bateu com
a parte de trás da bazuka numa árvore e para espanto a granada saiu disparada.
A sorte foi que a arma ainda estava relativamente elevada, e a granada passou a
rasar as nossas viaturas abandonadas no alcatrão e lá foi acertar no mato do
outro lado da estrada. Em seguida, um dos nossos apontadores de metralhadora
ligeira (1º cabo, Amílcar Costa), avista um indivíduo de cor a fugir pelo capim
e inicia uma corrida em sua direcção, tendo sido travado a tempo pelo Furriel
da sua secção que conseguiu perceber que o homem era um dos trabalhadores da
Tecnil, que se tinha levantado e iniciara a fuga do local, assustado, após o
estrondo do rebentamento da bazucada, evitando que o Amílcar o metralhasse.
Escapou de uma possível morte um inocente e uma viatura de Piche de ir ao ar.
Também o nosso bazuqueiro safou-se do cone de fogo da 89mm, devido à árvore ser
de porte pequeno.
A estada em Piche pautou-se por diversas
e acaloradas discussões com o Furriel Vago-mestre e com o Comandante do
Batalhão residente, devido à comida que era servida aos nossos praças, em
especial a quantidade, que implicou uma recusa a almoçar por parte do 2º
pelotão, num dos dias e tiveram razão para tal acto. Para além disso, quando
regressavam das emboscadas nocturnas era-lhes servida uma sandes acompanhada de
café (chicória), em vez de 1 cerveja. Baseado nas NEPs que existiam sobre este
assunto, tiveram de passar a distribuir cerveja e não chicória, depois da
intervenção do Alf. Dias junto do comando. Já nas outras refeições, apesar da
sua intervenção, levou do comandante a resposta: “Os seus soldados estão
mal-habituados e têm é mau estômago!”. De referir que na sede do nosso
Batalhão, não havendo repastos faustosos, o comandante, quando chegavam “os
frescos”, eram primeiramente para as refeições dos praças e para os graduados
só se sobrassem. Senão, esperavam pela próxima entrega.”
Neste período, o IN também emboscou as viaturas do Pelotão que estava na Ponte Caium (no caminho para Buruntuma), matando elementos das NT, um deles de Alfama (o "Manjerico", que era a alcunha em Alfama/ou o “Charlot”, como era tratado carinhosamente na sua unidade), era conhecido do Alf. Dias, por ser do Bairro de Alfama, em Lisboa, onde ambos viviam.
EM AGOSTO, O ALF. DIAS E O FUR. GONÇALVES(QUE NA ALTURA COMANDAVA O GRUPO DE 13 HOMENS E OS DOIS PELOTÕES DE MILÌCIAS QUE ESTAVAM NO DULOMBI E QUE FOI SUBSTITUÌDO NO CARGO PELO FUR. TRMS SOARES), AMBOS DO 2º GC, FORAM COLOCADOS NO CIM DE BAMBADINCA (BART3873), ONDE DIRIGIRAM A INSTRUÇÃO DE UMA COMPANHIA DE MILÍCIAS–O PRIMEIRO COMO CMDT E O SEGUNDO COMO 2ª COMDT(SERIAM AMBOS LOUVADOS PELO CMDT DO BART3873). O FUR. E. SANTO, COADJUVADO PELO FUR. LOURENÇO, FICOU A COMANDAR O 2º GC.
Em Bambadinca, os
elementos da nossa CCAÇ que dirigiam a instrução da companhia de milícias
impuseram uma actividade operacional e um treino intenso aos novos milícias de
forma a dotá-los dos movimentos técnico/tácticos necessários para se defenderem
e atacarem o IN. Exemplo do suceso da instrução foi a prova final, com a
demonstração de como fazer um golpe de mão a uma base IN, que mereceu o elogio
de várias personalidades militares vindas de Bissau, bem como do Comando do
BART3873, instalado em Bambadinca.
Privaram também com a nova CCAÇ21, uma companhia nativa, comandada pelo Tenente-Comando Abdulai Queta Jamanca, um muito experiente militar, que ofertou um emblema de braço do grupo “Fantasmas” (comandos) e uma baioneta de Kalashnikov Ak-47, da sua colecção ao Alf. Dias. A companhia iria ter um papel importante no cerco do PAIGC a Canquelifá. O Tenente-comando Adulai Jamanca seria um dos fuzilados pelo PAIGC, em 1975, em Bambadinca, após a independência (uma das muitas vítimas dessa vergonha).
EM 4 DE SETEMBRO, PELAS 12H45, UMA FORÇA IN ESTIMADA EM 15 ELEMENTOS, FLAGELOU O QUARTEL DO DULOMBI, COM ARMAS LIGEIRAS E RPG´S, DURANTE 5 MINUTOS, SEM CONSEQUÊNCIAS. O PELMIL 373/DULOMBI EFECTUOU O RECONHECIMENTO AO LOCAL DA BASE DE FOGOS DO IN. A HORA A QUE SE DEU A FLAGELAÇÃO, A DISTÂNCIA DA BASE DE FOGOS E O POUCO NÚMERO DOS ELEMENTOS IN, LEVOU A PENSAR QUE PODERIA SER UM ATAQUE DESTINADO A QUE SE CHAMASSE APOIO AÉREO, PARA DEPOIS TENTAREM ATINGIR AS AERONAVES COM MISSEIS “STRELLA”. NO RECONHECIMENTO EFECTUADO FOI LOCALIZADA A BASE DE FOGOS A 500m DO QUARTEL E O TRILHO DE RETIRADA POR PAIAI LEMENEI, TENDO APREENDIDO UMA GRANADA DE RPG7 E UMA GRANADA DE MÃO CHINESA.
Em 18 de Setembro, pelas 22H15, um grupo IN, estimado em 40 elementos, flagelou à distância, por poucos minutos, o re-ordenamento de Bangacia, com armas ligeiras e RPG´s, mas a pronta resposta quer das milícias de Bangacia, quer das milícias de Campata, puseram o IN em fuga, causando-lhe prováveis baixas pelos rastos de sangue encontrados. Foram apreendidas 3 granadas RPG7 e uma granada defensiva chinesa de cabo de madeira (Dulombi-Bangacia). 1º GC da CCAÇ3491, reforçado por 2 Secções do PEL/REC/CCS, foram em socorro de Bangacia. Um dos PELMIL353 de Bangacia iniciou a perseguição ao grupo IN e o reconhecimento da base de fogos, vindo a apreender 1 Granada de RPG7 e a verificar o itinerário de fuga, que passava por atravessar a estrada Galomaro-Dulombi, dirigindo-se para a nascente do rio Cumbangoli (foram vistos vestígios de sangue e de cortes de ramos para improvisar macas, sinal de que o IN teve feridos no ataque), tendo apreendido outra granada de RPG7, em Samba Arabe.
Em 21 de Setembro, o General Spínola foi substituído pelo General Bettencourt Rodrigues, como cmdt-chefe do CTIG.
Em 24 de Setembro, o PAIGC declarou a independência, supostamente na zona de Madina do Boé (informações posteriores afirmam que foi em Lugadjole, lugar ainda pertencente à República Guiné-Conacri). Ainda em Setembro, chegaram os Pel.Mil.397 e 398 a Galomaro, que foram colocados, respectivamente, em Bangacia e Samba Cumbera.
NO DIA 17 DE OUTUBRO, PELAS 18H55, GRUPO IN FLAGELOU O QUARTEL DO DULOMBI, COM ARMAS LIGEIRAS E RPG´S, COM A DURAÇÃO DE 7 MINUTOS E SEM CONSEQUÊNCIAS, COM A BASE DE FOGOS A 700m DO QUARTEL.
Em Outubro, a moral das tropas ficou muito abalada ao saber-se que não obstante acabarmos a nossa comissão em 22 de Outubro de 73, só iríamos ser substituídos em Fevereiro ou Março 74.
Em 11 de Novembro, esteve em Galomaro, o General Bettencourt Rodrigues, novo Comandante-chefe. Na segurança afastada esteve envolvido um GC da companhia. O General seguiria com diversos jornalistas para a zona de Madina do Boé (para onde foram enviados os pára-quedistas como segurança) a fim de provar que naquela zona não havia qualquer implantação de elementos do PAIGC.
Em 24 de Novembro, jornalistas da TV dinamarquesa deslocaram-se a Galomaro e a Bangacia. Dias antes tinham lá estado jornalistas brasileiros. De assinalar que a Tabanca de Bangacia e a sua organização eram um modelo importante e assinalável.
EM 21 DE DEZEMBRO, PELAS 17H50, UM GRUPO ESTIMADO EM 40 ELEMENTOS FLAGELOU DURANTE 5 MINUTOS O QUARTEL DO DULOMBI, COM ARMAS LIGEIRAS E RPG´S, EMBORA SEM QUAISQUER CONSEQUÊNCIAS. A RÁPIDA REACÇÃO AO ATAQUE, COM RECURSO A MORTEIROS 81mm E 60mm, PÔS O IN EM FUGA E PELOS RASTOS DE SANGUE ENCONTRADOS E INDÍCIOS DE TEREM SIDO FABRICADS MACAS, PENSA-SE QUE O IN SOFREU BAIXAS, ATÉ PORQUE A BASE DE FOGOS SE SITUOU PERTO DA ORLA DA MATA (300m) DO QUARTEL.
Em 24 de Dezembro, apresentaram-se no Saltinho 3 elementos IN, devidamente fardados que tinham fugido da zona do Boé
NESTES PERÍODOS, O 2º GC DA CCAÇ3491, DEPOIS DE TER
ESTADO A REFORÇAR PICHE, PASSOU A REFORÇAR O BATALHÃO DE NOVA LAMEGO E MAIS
TARDE A SEDE DO BATALHÃO DE PIRADA.
UMA DAS NOSSAS
INTERVENÇÕES EM NOVA LAMEGO, DEPOIS DE EMBOSCADAS NOCTURNAS, PATRULHAS DIVERSAS
E ESCOLTAS AUTO, FOI A ESCOLTA A PEÇAS DE ARTILHARIA PARA BURUNTUMA, PARA UMA
EVENTUALIDADE DE UMA INVASÃO POR AQUELA ZONA E DE ELEMENTOS SAPADORES PARA
COLOCAÇÃO DE MINAS A/C E A/P JUNTO DAQUELA FRONTEIRA.
As instalações para
os praças em N. Lamego eram horríveis, tendo eles escrito numa cruz colocada à
entrada, "Os abandonados de Galomaro".
EM DEZEMBRO, DEVIDO
AOS ATAQUES A COPÁ, DESTACAMENTO DA COMPANHIA SEDIADA EM BAJOCUNDA, DO BATALHÃO
DE PIRADA, FOI ORDENADO AO 2ºGC, APOIADO POR UM GC DE UMA COMPANHIA MADEIRENSE,
A CCAÇ3518, QUE TINHA VINDO PARA A GUINÉ
COM O NOSSO BCAÇ, FOSSE PARA PIRADA, PARA REFORÇAR AQUELA SEDE DE BATALHÃO.
PIRADA FICAVA A NORTE, FAZENDO FRONTEIRA COM O SENEGAL, HAVENDO, INCLUSIVE, UMA
ESTRADA ALCATROADA PARA AQUELE PAÍS. JÁ NO LOCAL PUDEMOS OUVIR UM ATAQUE A COPÁ
E A VOZ DO ALFERES QUE COMANDAVA O DESTACAMENTO A INFORMAR QUE COMEÇAVAM A
FALTAR GRANADAS PARA AS ARMAS PESADAS E QUE OUVIAM VIATURAS DO IN A PASSAREM
MUITO PERTO DO ARAME FARPADO QUE PROTEGIA O LOCAL, VINDAS DA FRONTEIRA, QUE ERA
MUITO PRÓXIMA.
O comandante do
Batalhão "Periquito" BCAÇ8323/73 (com poucos meses de Guiné) pretendia que o nosso GC e o GC dos
madeirenses (que não tinham Alferes, por ter sido ferido em combate), fossem,
no dia seguinte, para Copá. Ora o comandante do 2º GC (Alf. Dias), refutava
esta ideia, porque, afirmava: “as ordens que havia recebido do Cmdt do CAOP2
referiam-se à defesa de Pirada e que Copá era um destacamento de uma das
Companhias Operacionais do Batalhão (Bajocunda) e por tal facto lhes competiria
serem eles a irem em socorro de Copá”.
A sorte, foi que o
Cmdt do CAOP2 esteve do seu lado e foi de acordo à sua posição, senão a
situação teria sido difícil para o Alf. Dias. De facto, nós já tínhamos a nossa
dose de Guerra com quase 25 meses de Guiné e os próprios madeirenses diziam que
se os mandassem ir, antes queriam ser presos, pois também já tinham 25 meses de
Guiné (vieram no mesmo barco), já tinham levado muita "pancada" no
corredor de Guidage e que os outros se queriam aproveitar de nós. Foi decidido
que faríamos a escolta ao GC do Batalhão que iria seguir para Copá, mas
regressaríamos a Pirada.
Naquela zona o IN
punha muitas minas A/P denominadas "Viúvas negras" e também do tipo
"Bailarinas" e estávamos alertados para esse facto, tendo sido dadas
instruções que nas paragens deviam ficar na picada e não se dirigirem para a
sombra das árvores. No dia seguinte, iniciámos a viagem, com a picagem a ser
efectuada pelos sapadores, com a marcha a ser lenta devido ao tempo que se
perdia a levantar minas A/C. A determinada altura as minas eram tantas que o
pessoal sapador estava já estafado. Algumas delas surgiam, inclusive, à mostra,
sem estarem tapadas por terra e eram demonstrativas da vontade do IN para que
ninguém passasse. O comandante do batalhão que também seguia na coluna deu
ordem de regressar e nessa manobra uma das nossas viaturas rebentou uma mina
A/P, junto de uma árvore, onde, soube-se depois, tinha estado um dos nossos
soldados, que resolveu ali descansar, contra as ordens que tinham sido
dadas-teve sorte! Pouco tempo depois regressámos a Nova Lamego, onde passámos
Natal (que era o nosso 3º em terras da Guiné), e depois de comido o bacalhau da
ordem no dia 24, ainda fomos passar a noite (das 00h00 às 06h00 do dia 25),
emboscados no mato a substituir outro grupo.
A tensão dos últimos dias acumulava-se e
numa acção de emboscada nocturna, nos
arredores de N. Lamego, por ocasião da visita do Ministro Baltazar Rebelo de
Sousa (pai do actual Presidente da República), dado o GC ter, naquela
altura, apenas 15 elementos, o Alf. Dias dividiu o grupo em 3 equipas de 5, um
pouco afastadas umas das outras, embora em linha. Acontece que uma das equipas,
pela madrugada, entendia que o IN estava perto porque ouvia ruídos de passos e
queriam abrir fogo. Foi difícil para o Alf. contê-los, é que era de facto algum
animal que fazia aquele ruído e se abrissem fogo....seria o bom e o bonito, com
as peças de artilharia e os morteiros de N. Lamego a trabalharem, possivelmente
batendo a zona onde estávamos instalados.
1974
NO DIA 5 DE JANEIRO, UM GRUPO IN, ESTIMADO EM 40 ELEMENTOS E PELAS 14H10, FLAGELOU O QUARTEL DO DULOMBI, COM ARMAS LIGEIRAS E RPG´S. DURANTE 7 MINUTOS, SEM CONSEQUÊNCIAS.
No dia 8 de Janeiro, um grupo IN, estimado em 20 elementos flagelou Cancolim, sem quaisquer consequências.
NO DIA 19 DE JANEIRO, O IN VOLTOU A ATACAR O DULOMBI, PELAS 14H30, COM RECURSO A ARMAS LIGEIRAS E RPG´S, DURANTE 5 MINUTOS, SEM CONSEQUÊNCIAS (RECOLHIDAS 2 GRANADAS DE RPG7).
Em 20 de Janeiro, grupo IN, estimado em 30 elementos flagelou a Tabanca de Madina Bucô, sem consequências e depois da reacção do PELMIL354, puseram-se em fuga (vestígios de sangue e de roupa estilhaçada e ensaguentada).
Também em 20 de Janeiro, um grupo IN, estimado em 40 elementos, flagelou o quartel de Cancolim, às 7h15, com armas ligeiras e RPG´s, durante 10 minutos, sem consequências. No trilho de retirada por Sinchã Roche e Madina Xaquili, localizou-se um guerrilheiro morto e vestígios de mais gente ferida, atingidos, possivelmente, pelos morteiros 81mm do quartel. Apreendido um carregador de Kalashnikov Ak-47 completo de munições. Estranho, foi ser a 1ª vez que o IN atacava um aquartelamento do nosso Batalhão em hora tão madrugadora.
NESTE MESMO MÊS, O CAPITÃO DA CCAÇ3491 E UNIDADES DE APOIO E O 2ºGC (Alf. DIAS), REGRESSARAM AO DULOMBI, A FIM DE PREPARAREM AS INSTALAÇÕES, A RECEPÇÃO E DAR O TREINO OPERACIONAL À COMPANHIA “PERIQUITA”, QUE VINHA, FINALMENTE, RENDER A NOSSA.
TAMBÉM EM JANEIRO, O 4ºGC (Alf. PARENTE) FOI PARA NOVA LAMEGO SUBSTITUIR O 2ºGC (Alf. DIAS), QUE REGRESSARA AO DULOMBI E TEVE COMO UMA MISSÃO PRINCIPAL EFECTUAR UMA COLUNA DE IDA E VOLTA A PICHE, PARA RESGATAR UM HELICÓPTERO QUE FORA ATINGIDO E POUSARA DE EMERGÊNCIA NA SEDE DO BATALHÃO DE PICHE.
EM 8 DE FEVEREIRO (6ªFeira), SOB ESCOLTA DO 2º GC, CHEGARAM OS “PIRAS”, SENDO COLOCADA NO DULOMBI, COMO PREVISTO, A 1ª CCAÇ DO BCAÇ4518/73. A 2ª CCAÇ SEGUIRIA PARA CANCOLIM E A 3ª CCAÇ PARA O SALTINHO, FICANDO A CCS EM GALOMARO.
EM 10 DE FEVEREIRO TEVE INÍCIO O TREINO OPERACIONAL DOS GRUPOS DE COMBATE DA 1ª CCAÇ, SOB A RESPONSABILIDADE DO Alf. DIAS.
Efectuámos com a
companhia dos "Piras" algumas patrulhas de reconhecimento de 36 horas
e a Operação "Ora Toma", em 21 de Fevereiro, do tipo nomadização a 48
horas, com os 4 GC da 1ªCCAÇ. Foi a nossa última operação, vindo ainda a efectuar
em 1 de Março a Acção "Enjeitado", com passagem pela região de
Dulombi-Vendu Cantoro-R. Cantoro-Confluência R.Queuel/R.Cantoro-Confluência R.
Engali-R. Cantoro-Samba Candé-Mondajane-Dulombi e foi o adeus às matas da
zona.
Testámos a reacção
dos elementos da 1ª CCAÇ, acordado com os oficiais desta companhia,
aproveitando a formatura para o pequeno almoço (em que o pessoal deles não
estava armado), lançando uma granada ofensiva para uma das valas e vendo o que
eles fizeram de bem e de mal, na hipótese surgida.
Em 24 de Fevereitro, deu-se o denominado período de sobreposição com a 1ª CCAÇ, que terminou em 5 de Março de 1974.
Deixámos uma ponte
razoavelmente bem-feita sobre o R. Fandauol, de forma a evitar a
impraticabilidade na passagem da bolanha do rio, um quartel bem arranjado, umas valas impecáveis, uma
pista para DO-27, preparada para poder ser utilizada durante a noite, o
re-ordenamento do Dulombi melhorado, as instalações das milícias re-arranjadas,
a própria picada entre Dulombi-Galomaro, foi sendo melhorada, um bom
relacionamento com a população e, passe a imodéstia, julgamos que algum
"respeito" do IN (palavras do interrogatório ao guerrilheiro que se
entregou).
A nossa zona de intervenção não era das mais difíceis da Guiné, mas era muito trabalhosa pelos muito quilómetros que tivemos de fazer para que o IN notasse a nossa presença e posteriormente pela actividade também exercida em Galomaro. Estávamos sozinhos perante uma imensidão de terreno à nossa frente. A nosso lado ninguém. O nosso quartel estava mesmo no fim da linha, quando chovia com intensidade chegávamos a ficar isolados. Lembrar ainda a intervenção em várias áreas do Leste, no apoio a outros batalhões, em que não havendo a necessidade de palmilhar tantos quilómetros, havia, por outro lado, um outro cuidado nas deslocações e outros perigos, diferentes dos que existiam na nossa zona de origem. Só na zona de intervenção de Dulombi/Galomaro, efectuámos 112 operações, na sua maioria de 36 horas, mas algumas de 48 horas, para além das largas dezenas de emboscadas nocturnas, escoltas, picagens de itinerários e apoio a tabancas desprotegidas.
EM 8 DE MARÇO DE 1974, O 2ª GC E AS UNIDADES DE APOIO DA NOSSA CCAÇ SAIRAM DO DULOMBI PARA GALOMARO, ONDE SE ENCONTRAVAM OS RESTANTES ELEMENTOS DA COMPANHIA E NO DIA 9 DE MARÇO, COM A COMPANHIA COMPLETA, PARTÍAMOS EM COLUNA PARA O CUMERÉ/BISSAU, VIA ESTRADA GALOMARO-BAMBADINCA-XIME, DESCENDO DEPOIS O RIO GEBA, EMBARCADOS NA LDG BOMBARDA, SEGUINDO PARA BISSAU E DEPOIS DE VIATURAS PARA O CUMERÉ, ONDE TÍNHAMOS CHEGADO NO DIA 24 DE DEZEMBRO- DE 1971
Diziam que a Guiné era o nosso Vietname, o problema é que as tropas americanas faziam 365 dias de comissão e nós mais do dobro. Foi obra!
O Batalhão sofreu 21 Flagelações/Ataques a
Aquartelamentos (Cancolim-11; Dulombi- 9 (3 em 1972, 4 em 1973 e 2 em
1974); Galomaro-1; Saltinho-0)/19 Ataques
a Tabancas/Aldeamentos (2 na Área de Cancolim; 6 na Área do Saltinho e 11
na Área de Galomaro)/8 Minas A/C+10
minas A/P levantadas ou que rebentaram (Cancolim 2 A/C+5 A/P; Dulombi 2 A/C+3
A/P; Galomaro 1 A/C+1 A/P;Saltinho 2 A/C+5 A/P) e 10 Contactos/Emboscadas (2 em Cancolim+2+1 em Dulombi/Piche+1 em
Galomaro+4 no Saltinho).
Nos ataques que o IN efectuou aos
aldeamentos que se encontravam na zona de acção do batalhão, para além da
destruição de moranças e outros bens, mataram
16 civis e feriram com gravidade 51 pessoas, assaltando um grupo de 16 pessoas
numa das picadas, para lhes roubarem dinheiro e outros bens e raptando 1 miúdo
de 8 anos.
Entregaram-se a unidades do batalhão 8 guerrilheiros do PAIGC, armados e fardados (7 no Saltinho e 1 no Dulombi).
EM BISSAU e neste período, o Alf. Dias e o 2º Sarg. Chanca, foram encarregues de efectuar o espólio da Companhia, o que lhes deu um trabalhão danado e, não obstante ser normal, que os elementos nomeados para executarem este trabalho não conseguissem alcançar o seu termo a tempo de acompanharem o Batalhão, de facto, e contrariando as previsões, mesmo do próprio Comandante do Batalhão, eles conseguiram-no.
Na parada de despedida realizada no Cumeré, perante o Cmdt-Chefe, foi com orgulho no trabalho, no esforço, por nós realizado durante o tempo da Comissão, que não tivémos de gritar presente aos nomes dos mortos que, felizmente, não tivémos. Pura sorte, pensarão muitos, só que, no nosso caso, a sorte deu-nos muito trabalho, muito esforço, muito sofrimento. Fomos reconhecidos como das companhias operacionais mais disciplinadas, equilibradas, competentes da Zona Leste da Guiné e, de facto, nunca deixámos ficar mal o nome do batalhão, aquando fomos enviados para intervenção noutras áreas da Guiné. Este é o nosso melhor louvor. Esta é a nossa Cruz de Guerra. Todos os graduados tinham pensado neste momento 27 meses antes, ou seja, como seria importante entregar às famílias todos os nossos camaradas, todos aqueles que tinham vindo connosco para a Guiné e que dependiam e confiavam em nós. A Missão fora difícil, muito longa, mas estava terminada.
Em 28 de Março de 1974 (5ª Feira), embarcávamos no Porto
de Pidjiquiti-Bissau no N/T "Niassa", às 10H30, rumo à Metrópole,
(juntamente com as companhias independentes: CCAÇ3518(Gadamael/Guida-
ge);CCAÇ3519(Barro/Cacheu); CCAÇ 3520(Cacine)-que
viriam a desembarcar no Funchal, onde chegámos no dia 2 de Abril às 13h00 (3ª
Feira)-e a CART3521 (Piche/Bafatá/Safim), que seguiu connosco até Lisboa.
Chegámos a Lisboa pela madrugada do dia 4 de Abril de 1974, com desembarque às
10h00, no Cais da Rocha Conde Óbidos, deslocando-nos em viaturas militares para
o antigo RALIS (ao tempo RAL-1), onde, pelas 12h00, nos desfardámos. Uns dias
depois dar-se-ia o 25 de Abril que viria a terminar com a Guerra de África
[1] De referir que
2 anos antes, nesta mesma zona, grupos de combate da CCAÇ2405, tiveram também
um forte contacto com o IN, do qual, infelizmente, houve a lamentar 1 morto e
vários feridos nas NT. Relato do Ex-Alf.Milº Rui Felício,
recentemente falecido.
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