
Espaço de confraternização para todos aqueles que, como combatentes, tiveram de percorrer as matas, as bolanhas, as picadas e os rios da Guiné, entre Dezembro de 1971 a Março de 1974, em especial invocar aqui a história e as "estórias" dos elementos da C.CAÇ 3491, aquartelados em Dulombi e também em Galomaro, e que tiveram grupos de combate em apoio de Cancolim, Piche, Nova Lamego, Bambadinca e Pirada. Fomos dos últimos combatentes do denominado "Império Português - o V Império".
À MEMÓRIA DO HERÓI E AO SILÊNCIO DAS INSTITUIÇÕES
Aos decisores políticos e à consciência cívica da Nação,
A História de um país não se apaga com votos de bancada,
nem o mérito militar se dissolve na conveniência ideológica do presente. O
recente chumbo à atribuição do nome do Tenente-Coronel Marcelino da Mata a um
espaço toponímico da nossa cidade (Lisboa) não é apenas uma decisão administrativa; é um
acto de profunda ingratidão histórica e um insulto àqueles que, no limite das
suas forças, serviram a bandeira nacional.
Estamos perante o militar mais condecorado da história do
Exército Português. Alguém que ostenta a Ordem Militar da Torre e Espada, do
Valor, Lealdade e Mérito, não pode ser reduzido a uma nota de rodapé ou ser
alvo de um "cancelamento" póstumo por quem confunde contexto
histórico com julgamento político selectivo.
O Peso da Injustiça
É incompreensível que a democracia, que deveria ser o
espaço da pluralidade e do reconhecimento, se feche sobre si mesma para negar o
óbvio: Marcelino da Mata foi um exemplo de bravura inquestionável. Ao
rejeitarem a sua presença na toponímia da cidade, os partidos que votaram
contra — CDS,PS, PAN, BE, PEV, PCP, LIVRE e IL
e o voto contra da deputada do CDS-PP Helena Ferro Gouveia, que votou em
sentido oposto ao dos restantes deputados centristas.— não estão a proteger
valores; estão a desonrar a memória de um homem que deu a vida pelo dever.
A Valentia não tem cor política: O valor militar é um
património da Nação, não de um partido.
A Selectividade da Memória: É perigoso quando o poder
político se arroga o direito de decidir quem merece ser lembrado com base em
filtros ideológicos modernos, ignorando o sangue derramado no terreno.
Um Apelo à Dignidade
Esta indignação não é apenas pela ausência de uma placa
numa rua. É pela cobardia institucional de não saber honrar os seus. Um país
que esquece os seus heróis ou que os submete ao escrutínio da conveniência
partidária é um país que caminha para a amnésia moral.
Marcelino da Mata não precisa de uma rua para ser grande —
a sua grandeza está gravada no peito, nas medalhas e na memória de quem
combateu a seu lado. Quem precisa de dignidade é esta cidade e este país, que
hoje falharam redondamente no dever elementar de dizer: Obrigado.
A história fará a devida justiça, quando o ruído dos votos
de hoje se dissipar no silêncio do tempo.
Pelo reconhecimento, pela verdade e pela honra.
Faleceu hoje 19 de fevereiro de 2026, aos 92 anos, na Cidade da Praia, Amélia Sanches Araújo, de origem cabo-verdiana, nascida em Angola em 1934. Conhecida e popular apresentadora da "Rádio Libertação", desde a sua fundação em 1964 com programas através de emissoras de países (como o Senegal, Guiné-Conacri e outros) que apoiavam o PAIGC. Ficou conhecida entre a tropa portuguesa por "Maria Turra".