sexta-feira, 24 de abril de 2026


À MEMÓRIA DO HERÓI E AO SILÊNCIO DAS INSTITUIÇÕES

Aos decisores políticos e à consciência cívica da Nação,

​A História de um país não se apaga com votos de bancada, nem o mérito militar se dissolve na conveniência ideológica do presente. O recente chumbo à atribuição do nome do Tenente-Coronel Marcelino da Mata a um espaço toponímico da nossa cidade (Lisboa) não é apenas uma decisão administrativa; é um acto de profunda ingratidão histórica e um insulto àqueles que, no limite das suas forças, serviram a bandeira nacional.

​Estamos perante o militar mais condecorado da história do Exército Português. Alguém que ostenta a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, não pode ser reduzido a uma nota de rodapé ou ser alvo de um "cancelamento" póstumo por quem confunde contexto histórico com julgamento político selectivo.

​O Peso da Injustiça

​É incompreensível que a democracia, que deveria ser o espaço da pluralidade e do reconhecimento, se feche sobre si mesma para negar o óbvio: Marcelino da Mata foi um exemplo de bravura inquestionável. Ao rejeitarem a sua presença na toponímia da cidade, os partidos que votaram contra — CDS,PS, PAN, BE, PEV, PCP, LIVRE e IL  e o voto contra da deputada do CDS-PP Helena Ferro Gouveia, que votou em sentido oposto ao dos restantes deputados centristas.— não estão a proteger valores; estão a desonrar a memória de um homem que deu a vida pelo dever.

​A Valentia não tem cor política: O valor militar é um património da Nação, não de um partido.

​A Selectividade da Memória: É perigoso quando o poder político se arroga o direito de decidir quem merece ser lembrado com base em filtros ideológicos modernos, ignorando o sangue derramado no terreno.

​Um Apelo à Dignidade

​Esta indignação não é apenas pela ausência de uma placa numa rua. É pela cobardia institucional de não saber honrar os seus. Um país que esquece os seus heróis ou que os submete ao escrutínio da conveniência partidária é um país que caminha para a amnésia moral.

​Marcelino da Mata não precisa de uma rua para ser grande — a sua grandeza está gravada no peito, nas medalhas e na memória de quem combateu a seu lado. Quem precisa de dignidade é esta cidade e este país, que hoje falharam redondamente no dever elementar de dizer: Obrigado.

​A história fará a devida justiça, quando o ruído dos votos de hoje se dissipar no silêncio do tempo.

​Pelo reconhecimento, pela verdade e pela honra.


 

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